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Mostrando postagens de junho, 2026

Botafogo: Estação Terminal

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Diziam que depois de Botafogo havia um túnel escuro. E eu preso na estação carregava o pior medo: atravessá-lo. Estava cansado. Cansado de andar por aquelas estações há anos. Deixei de acreditar nos trens, no ir e vir, na vida. Sobretudo, deixei de acreditar em mim mesmo. Nada mais fazia sentido. Dia após dia, parado em Botafogo, estação terminal para mim, esperava o próximo trem pra voltar. Jurava que embarcaria. Imaginava trens especiais, sempre o próximo. Todos passavam. Eu, paralisado. Queria embarcar, mas não conseguia. Preso no tempo, na vida, na estação, em mim mesmo. Vivia no vazio, no cárcere pessoal, cercado pelo medo do túnel que vinha depois. Não conseguia mover-me. Uma força invisível me detinha. Voltar era impossível. Já conhecia todas as estações anteriores: Catete, Flamengo, L...

Batidas Na Porta

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" TOC, TOC, TOC...  "Abra a porta e saia deste quarto!" Por que eu deveria abrir? "Você por acaso vai passar toda a sua vida aí dentro pensando sem parar?" O que você tem com isso? "Tenho tudo a ver com isso. Você já não acha que já pensou demais, sofreu demais, se escondeu demais, fugiu demais, mentiu demais, se deprimiu demais?" Mas é que... "Mas é que você tem sido irresponsável. Quando não faz os deveres de casa mente para a sua mãe e não vai à escola, com medo de ser confrontado pelos seus professores. Fica sempre adiando suas decisões para o futuro; passa grande parte do seu tempo em pensamentos fantasiosos das mil e uma noites..." Mas é que... "Mas é que você se vê como um vítima do mundo, um coitadinho, um injustiçado num mundo cruel, um sant...

A Depressiva Casa

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  " Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A depressão é uma casa estranha. Para quem olha da rua, são incontáveis portas abertas, convidando apenas à entrada. Nenhuma saída está à vista. Nem uma fresta. Ainda assim, ela existe. Única, escondida nos fundos. Melhor dizendo: no fundo do morador. É ele quem guarda a chave. E essa é uma porta que só se abre de dentro para fora. Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais. Clique  em O inferno são os outros em mim para ler a  crônica anterior, ou em Batidas Na Porta para ler a seguinte .