O Prisioneiro de Si Mesmo
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Meu nome é Viajante Emocional e, por muito tempo, vivi sob o peso de um medo que se estendia a cada ser humano que cruzava o meu caminho. Durante anos, não soube quem eu era, pois a minha existência parecia depender exclusivamente da aprovação alheia.
Essa dependência tornou-se uma escravidão silenciosa, consumindo minha energia e prendendo-me em um estado crônico de exaustão mental. O meu "vício" não era algo que eu consumia, mas a obsessão pelos outros — um ciclo de pensamentos que habita minha mente desde a infância.
Se alguém pudesse filmar o que se passa na minha cabeça, veria um roteiro caótico: cenas de discussões imaginárias, ressentimentos, preocupações constantes e uma ânsia desesperada por agradar. Veriam alguém que se sente constantemente em dívida, que busca migalhas de afeto, que se compara e se sente, invariavelmente, inadequado.
Mas, nesse mesmo filme, veriam o outro lado da moeda: o sonhador, o fantasista. O homem que se imagina um herói, um ser capaz de grandes feitos, um príncipe vivendo um "felizes para sempre" em um castelo onde não existem problemas, apenas harmonia e amor incondicional.
Por muito tempo, vivi como uma máquina. Programado para cumprir expectativas, agi como se não tivesse permissão para ser, para sentir ou para falhar. Hoje, porém, abandonei o papel de vítima do destino ou das pessoas. Assumo, com coragem, a responsabilidade: fui prisioneiro de padrões distorcidos e de uma profunda autorrejeição.
A prática dos 12 Passos tem sido a chave para abrir essas celas. Estou começando a entender que uso os outros como um refúgio para fugir de mim mesmo. Descobri que a rejeição que tanto sentia não vinha do mundo, mas de dentro: eu rejeitava o mundo e, pior, rejeitava quem eu sou. O preço dessa negação foi alto demais: a perda da alegria, a sensação de ser um "peixe fora d'água" e o isolamento que a alienação mental impõe.
Estou aprendendo, um dia de cada vez, a me acolher. É um processo árduo, mas é o único caminho para a autenticidade. Hoje, entendo que o inferno não é um lugar externo, nem um monstro à espreita; é um estado da mente. E, na mesma medida, o paraíso também é interno. Percebi que Deus, como O concebo, reside aqui dentro. A verdadeira batalha não acontece contra o mundo lá fora, mas no campo de batalha do meu coração.
Seguir na prática sincera do Programa de 12 Passos é escolher o equilíbrio emocional, em vez de continuar combatendo batalhas imaginárias.
Clique em em A Bomba da Vergonha Tóxica para ler a crônica anterior, ou em A Travessia da Minha Escuridão para ler a seguinte.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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