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O orgulhoso Boneco de Cera

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Era uma vez um boneco de cera que vivia isolado em seu grandioso e sombrio castelo — uma fortaleza erguida, tijolo por tijolo, sobre o alicerce do puro orgulho. Todas as manhãs, ele se corroía por dentro. Para além de suas muralhas, o mundo despertava banhado por uma luz exuberante. E o boneco de cera detestava a luz. Incapaz de tolerar aquilo, decidiu abandonar a escuridão para enfrentar aquele que, sem sua permissão, ousava iluminar seus domínios. Antes do alvorecer, empunhou sua espada e vestiu sua rígida armadura — feita de ferro e amargura. Marchou até o pátio, disposto a acertar as contas com o sol, cujo clarão sentia como um insulto diário.  Permaneceu ali, imóvel, espada em punho, olhar fixo no horizonte. O tempo passou. A claridade foi surgindo, lenta e inexorável. Enraivecido, ele a...

Um Encontro com a Alegria

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Na época em que a depressão me dominava, eu imaginava o despertar espiritual como um raio de luz cortando as nuvens, por onde chegariam seres celestiais para carregar minhas dores para sempre, fazendo de mim um santo feliz no mesmo instante. Que nada! Era o segundo dia do encontro nacional da irmandade de 12 Passos, em um sábado de setembro em Guarapari. Levantei cedo e fui caminhar antes do café da manhã. No caminho, fui atravessado por uma alegria avassaladora. Era a alegria do meu pai, o Sebastião — uma força tão viva que transbordava para todos ao redor. Não cabia dentro de mim, do mesmo jeito que não cabia nele. Foi um sentimento que jorrou do meu peito aos borbotões ao longo de todo aquele dia. "Senhor da Vida, conforme eu O concebo, desejo que todas as pessoas encontrem essa mesma...

Depressão: O Inferno Interior.

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vivi cinquenta anos no inferno. Acordava todos os dias desejando não existir, mas a vida teimava em pulsar dentro de mim. ​Naquele lugar, eu não suportava a pessoa que era, tampouco aceitava os outros como eram. Em síntese: eu não gostava de gente. Minha mente dividia o mundo em duas categorias rígidas: os maus e os bons; os algozes e as vítimas. Claro que me colocava entre os bons, ainda que, desse lado, só coubesse eu e mais meia dúzia de almas — consequência direta de uma rejeição cega que me impedia de enxergar um milímetro além do meu próprio nariz. ​Enquanto acreditei que aquele inferno era provocado por terceiros ou por circunstâncias que eu tentava alterar com pensamentos mágicos e imaginação, permaneci trancado no mesmo sofrimento. ​Meus demônios tinham o rosto das pessoas autoritári...

Morando nos Outros

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Aos 19 anos saí da casa dos meus pais, no interior, para estudar e morar no Rio de Janeiro. Nunca mais voltei. Mas houve uma saída anterior e mais profunda: quando nasci, saí do ventre da minha mãe e fui morar nos outros. Nunca morei em mim. Hoje, 67 anos depois, ainda não encontrei totalmente o caminho de volta para a minha própria casa. Mas já não estou mais perdido. O programa de 12 Passos tem sido o mapa que me orienta de volta para o meu lar, não aquele no interior do mundo, mas aquele no interior de mim. Clique em Sob o Céu de Guarapari para ler a crônica anterior, ou em Depressão: O Inferno Interior  para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da...

Sob o Céu de Guarapari

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Estive em Guarapari para um encontro de 12 Passos. Saí de casa cheio de receios: Será que vale mesmo a pena? Está chovendo, faz frio... É longe demais... Estou cansado, melhor não ir... Sinto que este ano não será tão bom... Já fui a tantos encontros, preciso mesmo de mais um? O meu ego é incansável e adora me seduzir ao conformismo. Decidi ignorar essa voz e fui. Fiquei por lá quatro dias. A cada instante, os companheiros iam surgindo como pontos de luz rasgando a minha própria escuridão. Antes mesmo da abertura oficial, os verdadeiros encontros já aconteciam: no café da manhã, nas refeições, nos corredores largos e ensolarados, nos jardins, na recepção, sob a sombra das árvores, nas caminhadas matinais, ao entardecer, ao anoitecer... A cada encontro com o outro, vinham os abraços sinceros, ...

Escrevendo Para Minha Criança Interior Ferida

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Belo Horizonte, 13 de junho de 2024 Querido Lolô, Tenho ótimas lembranças de você na minha infância. Sempre gostei da sua espontaneidade e ficava maravilhado de vê-lo divertindo-se num monte de areia, rolando pelo chão seus carrinhos de lata, ou ainda soltando pipa sozinho nos campos, sob o vento suave do outono. O tempo passou, Lolô. E, com o tempo, eu cresci. Crescendo, acabei me esquecendo de você, achando que o adulto que me tornei seria capaz de resgatar por conta própria toda a alegria que sentia na sua presença. Errei feio, Lolô. Nada do que conquistei no mundo adulto me trouxe de volta aquele contentamento antigo. A cada dia e a cada nova conquista, fui ficando mais amargurado, até perder-me completamente em profundos poços depressivos. Passados tantos anos, Lolô, lembrei-me novamente...

A Escuridão do Inferno Depressivo

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vivi cinquenta anos no inferno. Acordava todos os dias desejando não existir, mas a vida teimava em pulsar dentro de mim. ​Naquele lugar, eu não suportava a pessoa que era, tampouco aceitava os outros como eram. Em síntese: eu não gostava de gente. Minha mente dividia o mundo em duas categorias rígidas: os maus e os bons; os algozes e as vítimas. Claro que me colocava entre os bons, ainda que, desse lado, só coubesse eu e mais meia dúzia de almas — consequência direta de uma rejeição cega que me impedia de enxergar um milímetro além do meu próprio nariz. ​Enquanto acreditei que aquele inferno era provocado por terceiros ou por circunstâncias que eu tentava alterar com pensamentos mágicos e imaginação, permaneci trancado no mesmo sofrimento. ​Meus demônios tinham o rosto das pessoas autoritári...