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Meu Velho Ego Não Sabe Rezar

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras"   Minha neurose, com seus sintomas mentais e emocionais, só se manifesta quando me ausento da vida real. Paguei — e ainda pago — um preço alto por ter entregado a direção da minha vida emocional ao meu velho ego. Sem vocação para cuidar da alma, ele sabotou meus caminhos e me manteve preso a um poço depressivo por anos. Agora, em recuperação, assumo finalmente a responsabilidade que é minha.  Meu ego é inteligente, lógico e calculista, mas é um analfabeto espiritual. Ele sabe tudo sobre o mundo. Mas não sabe nada sobre mim. Não sabe nada sobre Deus. Meu velho ego não sabe rezar. Clique em Eu Tenho Medo de Você para ler a crônica anterior. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais impor...

Eu Tenho Medo de Você

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Para evitar que você me machuque, farei de tudo: vou te agradar, fugir, mentir e sorrir sem vontade. Guardarei comigo uma enorme carga de raiva e ressentimento, mas você jamais saberá. Eu não revelarei a verdade; afinal de contas, minha primeira defesa é mentir para você. Eu preciso que você me salve, me abrace, esteja do meu lado e me compreenda. Preciso que nunca grite comigo, nunca aponte o dedo acusador e jamais me fuzile com o olhar. Você aceita esse trato? No presente momento, eu só sei quem sou através do seu reflexo. Preciso de você para me decifrar, pois ainda não me conheço. Estou recolhido no meu próprio mundo, tal como uma semente esperando o momento de brotar. Eu precisei de você para aprender a voar, mas você cortou minhas asas. Precisei de você para experimentar a liberdade, ma...

O Solo Divino Onde Cresce o Amor

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Uma árvore necessita do solo para manifestar-se e exibir toda a sua vida, força, graça, beleza e majestade. Se for arrancada da terra, ela definha e morre. O solo sem a árvore continua sendo solo; já a árvore sem o solo não é nada. No meu egoísmo, achei que pudesse crescer longe do Solo Divino. Passei a viver desconectado de tudo e de todos, isolado lá nas alturas da minha própria mente doente e egocêntrica. Consequentemente, minhas raízes jamais se desenvolveram. Fui ficando atrofiado e infeliz. Em vez de crescer em busca da luz, acabei mergulhado até o pescoço na escuridão de um poço depressivo — afinal, a doença emocional é como rabo de cavalo: cresce sempre para baixo. Depois de muito sofrimento, finalmente aprendi: se eu não fincar o corpo, a mente, a alma e o coração no Solo Divino, eu ...

Tão Leve Quanto Um Passarinho

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Hoje fui ao mercado. Como já sabia exatamente o que precisava, fui direto aos corredores certos e peguei cada item. Todo o resto do espaço — com suas centenas de prateleiras, letreiros, propagandas e o vai-e-vem das pessoas — passou quase despercebido. Pensando bem, se as gôndolas de alguns daqueles produtos mudassem de lugar, eu teria uma enorme dificuldade para encontrá-los. A verdade é que vivo mais no mundo da minha mente do que no mundo real. Tenho dificuldade de olhar para fora de mim, costumo manifestar um foco intenso (quase obsessivo) em temas específicos, além de uma certa rigidez nas minhas rotinas e uma alta sensibilidade a estímulos sensoriais como luzes, sons e cores. Para completar, carrego uma leve — levíssima — falta de coordenação motora: daquelas que me fazem, de vez em qua...

O Cachorrão Rabugento

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Quatro horas da manhã. Um cachorro, muito longe, late. Ouço o latido distante, bem baixinho. O cachorrinho da casa escuta e responde, latindo também. Agora o som é perto e alto. De novo. Tudo se repete. Na terceira vez, minha companheira resolve colocá-lo para dentro do quarto. O latido poderia incomodar os vizinhos. Não achei uma boa ideia, mas já era tarde. Entrou o cachorrinho e, com ele, o outro cachorro. Um terceiro ficou do lado de fora, latindo para entrar. Lá se foi o meu sono. Levantei às quatro da manhã, de mau humor, e nessa hora o cachorrão dentro de mim começou a rosnar solitariamente seus pensamentos neuróticos. Tomei café e esperei um pouco para ir para o mato. Ainda estava escuro. O cachorrão continuava rosnando, chateado com a situação. Antes de clarear, fui para o campo e me...

O Dia em que Fui Morar nos Outros

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Esta noite tive um sonho estranho... Sonhei que havia brigado comigo mesmo. Como consequência, uma parte minha se rebelou e foi morar nos outros. Foi então que tudo fez sentido. Toda vez que eu entrava em conflito, ficava de mau humor ou guardava ressentimento... Toda vez que me sentia inferior ou superior... Toda vez que tentava, a todo custo, controlar ou mudar alguém... Ou quando desejava, no auge do desespero, que os outros simplesmente sumissem do mapa para que eu tivesse paz... Eu não estava lutando contra eles. Estava lutando contra aquela parte de mim que eu havia projetado, por engano, no outro. Foi exatamente nesse instante que eu despertei. Clique em Terra à Vista para ler a crônica anterior, ou em O Cachorrão Rabugento para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consci...

Terra à Vista

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ontem, na reunião presencial, tirei uma carta do Baralho das Emoções. A pergunta era simples e direta: "Você já encontrou o seu Eu profundo?" Confesso: ainda não. Mas essa busca me deu algo inesperado. Eu encontrei o meu ego. O meu eu raso, e a sensação foi indescritível. Foi como Colombo no convés, ouvindo o grito do marujo lá da gávea: "Terra à vista!" Eu tinha avistado um continente novo dentro de mim. Um território inteiro que eu nem sabia que existia. Agora eu posso explorá-lo. Essa descoberta me deu uma certeza: Minhas dores emocionais estão centradas no ego. Meu ego é mental e transitório, e a responsabilidade por ele é toda minha. Mas a melhor parte veio depois: Eu não sou o meu ego. Atrás dele, existe algo mais profundo. Mais real. Mais saudável. O meu Eu Verdadei...