Depressão: O Inferno Interior.
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vivi cinquenta anos no inferno. Acordava todos os dias desejando não existir, mas a vida teimava em pulsar dentro de mim. Naquele lugar, eu não suportava a pessoa que era, tampouco aceitava os outros como eram. Em síntese: eu não gostava de gente. Minha mente dividia o mundo em duas categorias rígidas: os maus e os bons; os algozes e as vítimas. Claro que me colocava entre os bons, ainda que, desse lado, só coubesse eu e mais meia dúzia de almas — consequência direta de uma rejeição cega que me impedia de enxergar um milímetro além do meu próprio nariz. Enquanto acreditei que aquele inferno era provocado por terceiros ou por circunstâncias que eu tentava alterar com pensamentos mágicos e imaginação, permaneci trancado no mesmo sofrimento. Meus demônios tinham o rosto das pessoas autoritári...