A Criança Ferida Em Cima do Muro
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A criança ferida equilibra-se com dificuldade sobre o Muro de Berlim. À sua frente, o sonho: a realidade pulsante do Ocidente. Às suas costas, o Oriente cinzento, espectro de todos os seus dramas passados. No horizonte ocidental, ela vislumbra a promessa de felicidade e a liberdade plena; no Oriente, porém, restam a depressão e as amarguras de um mundo sob censura — um lugar onde a voz era silenciada e a vida ditada por figuras autoritárias que a fizeram sentir-se insegura, rejeitada e profundamente envergonhada. Do lado de lá, o convite ecoa, sedutor e constante: "Desça, criança. Venha viver conosco, experimentar a liberdade de ir e vir, conviver sem amarras, desbravar o mundo, cantar, bailar, rir... Venha, simplesmente, ser". Contudo, a criança permanece cativa no cume da barrei...