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Depressão: O Inferno Interior.

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vivi cinquenta anos no inferno. Acordava todos os dias desejando não existir, mas a vida teimava em pulsar dentro de mim. ​Naquele lugar, eu não suportava a pessoa que era, tampouco aceitava os outros como eram. Em síntese: eu não gostava de gente. Minha mente dividia o mundo em duas categorias rígidas: os maus e os bons; os algozes e as vítimas. Claro que me colocava entre os bons, ainda que, desse lado, só coubesse eu e mais meia dúzia de almas — consequência direta de uma rejeição cega que me impedia de enxergar um milímetro além do meu próprio nariz. ​Enquanto acreditei que aquele inferno era provocado por terceiros ou por circunstâncias que eu tentava alterar com pensamentos mágicos e imaginação, permaneci trancado no mesmo sofrimento. ​Meus demônios tinham o rosto das pessoas autoritári...

Morando nos Outros

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Aos 19 anos saí da casa dos meus pais, no interior, para estudar e morar no Rio de Janeiro. Nunca mais voltei. Mas houve uma saída anterior e mais profunda: quando nasci, saí do ventre da minha mãe e fui morar nos outros. Nunca morei em mim. Hoje, 67 anos depois, ainda não encontrei totalmente o caminho de volta para a minha própria casa. Mas já não estou mais perdido. O programa de 12 Passos tem sido o mapa que me orienta de volta para o meu lar, não aquele no interior do mundo, mas aquele no interior de mim. Clique em Sob o Céu de Guarapari para ler a crônica anterior, ou em Depressão: O Inferno Interior para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da...

Sob o Céu de Guarapari

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Estive em Guarapari para um encontro de 12 Passos. Saí de casa cheio de receios: Será que vale mesmo a pena? Está chovendo, faz frio... É longe demais... Estou cansado, melhor não ir... Sinto que este ano não será tão bom... Já fui a tantos encontros, preciso mesmo de mais um? O meu ego é incansável e adora me seduzir ao conformismo. Decidi ignorar essa voz e fui. Fiquei por lá quatro dias. A cada instante, os companheiros iam surgindo como pontos de luz rasgando a minha própria escuridão. Antes mesmo da abertura oficial, os verdadeiros encontros já aconteciam: no café da manhã, nas refeições, nos corredores largos e ensolarados, nos jardins, na recepção, sob a sombra das árvores, nas caminhadas matinais, ao entardecer, ao anoitecer... A cada encontro com o outro, vinham os abraços sinceros, ...

Escrevendo Para Minha Criança Interior Ferida

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Belo Horizonte, 13 de junho de 2024 Querido Lolô, Tenho ótimas lembranças de você na minha infância. Sempre gostei da sua espontaneidade e ficava maravilhado de vê-lo divertindo-se num monte de areia, rolando pelo chão seus carrinhos de lata, ou ainda soltando pipa sozinho nos campos, sob o vento suave do outono. O tempo passou, Lolô. E, com o tempo, eu cresci. Crescendo, acabei me esquecendo de você, achando que o adulto que me tornei seria capaz de resgatar por conta própria toda a alegria que sentia na sua presença. Errei feio, Lolô. Nada do que conquistei no mundo adulto me trouxe de volta aquele contentamento antigo. A cada dia e a cada nova conquista, fui ficando mais amargurado, até perder-me completamente em profundos poços depressivos. Passados tantos anos, Lolô, lembrei-me novamente...

A Escuridão do Inferno Depressivo

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vivi cinquenta anos no inferno. Acordava todos os dias desejando não existir, mas a vida teimava em pulsar dentro de mim. ​Naquele lugar, eu não suportava a pessoa que era, tampouco aceitava os outros como eram. Em síntese: eu não gostava de gente. Minha mente dividia o mundo em duas categorias rígidas: os maus e os bons; os algozes e as vítimas. Claro que me colocava entre os bons, ainda que, desse lado, só coubesse eu e mais meia dúzia de almas — consequência direta de uma rejeição cega que me impedia de enxergar um milímetro além do meu próprio nariz. ​Enquanto acreditei que aquele inferno era provocado por terceiros ou por circunstâncias que eu tentava alterar com pensamentos mágicos e imaginação, permaneci trancado no mesmo sofrimento. ​Meus demônios tinham o rosto das pessoas autoritári...

O Próximo que habita em mim

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Aprendi desde cedo que devo amar a Deus (conforme eu O concebo) sobre todas as coisas, e ao próximo como a mim mesmo. "Viajante Emocional, quem é o seu próximo?" O meu próximo são os outros. E o outro mais próximo é o próximo do momento, creio eu. "Mas, Viajante Emocional, você sempre teve dificuldade nos relacionamentos com os outros — e quanto mais próximos de ti, maior é essa dificuldade. Então, como amá-los?" Faço um grande esforço nesse sentido, mas percebo sinceramente que não consigo avançar muito, principalmente quando esses próximos são tão irritados, intransigentes, orgulhosos, manipuladores, controladores, distantes, tão... "Tão parecidos com você, Viajante Emocional!" Parecidos comigo? "Sim, Viajante Emocional. Você tem grande dificuldade com os ...

A Insônia e o Cavalo Mental

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" São 4h30 da manhã. Minha mente transborda como uma cachoeira em fluxo contínuo e exaustivo. Sinto a cabeça quente, prestes a ferver: preciso encontrar o interruptor para desligar essa atividade incessante e relaxar antes que a resistência queime. Acompanhando a correria, chegam a ansiedade, as preocupações, as culpas do passado e a ânsia por um futuro onde eu finalmente me sinta em paz. Meus pensamentos dispararam como cavalos selvagens e, nessa pressa para lugar nenhum, roubam-me o presente. São ideias antigas, mofadas pelo tempo, que tentam me empurrar para um refúgio seguro — um lugar livre de críticas, de opressão ou da constante sensação de estar sob vigília. Meu cavalo mental corre o tempo todo, corre de si mesmo, corre de tudo o que o cerca. Corre desesperadamente na tentativa de fugir...