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O Humano e o Divino

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Habitam dois em mim. Um, o doente emocional; o outro, aquele que busca a cura. Se eu vir o primeiro como um demônio, sucumbo à depressão. Se elevar o segundo à condição de um deus, caio na armadilha da vaidade e da soberba. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: preciso encontrar o equilíbrio entre o meu Eu verdadeiro e o ego, entre o humano e o divino. Clique em A Praia que Rejeitava o Mar para ler a crônica anterior. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

A Praia que Rejeitava o Mar

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Havia uma praia que, por medo de ser invadida, se sentia profundamente neurótica e codependente. Certa vez, irritada com o mar que molhava suas areias sem pedir licença, sentiu-se invadida e ressentiu-se. O vento soprava em direção às águas, e a praia, em um gesto de autoproteção exagerada, ordenou que ele erguesse uma montanha de areia ali: uma duna alta para separá-la daquele "mar inconveniente". O pedido foi atendido. Por alguns dias, a praia sentiu o alívio do isolamento e o prazer de controlar seu ambiente. Mas o controle é uma ilusão passageira. Em uma manhã, o vento, mudando de direção, devolveu a areia ao seu lugar original. As águas voltaram a tocar a costa. Frustrada, a praia tentou impor novas ordens, mas, desta vez, o vento não obedeceu. O fracasso na tentativa de contro...

A Criança Ferida Em Cima do Muro

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  " Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A criança ferida equilibra-se com dificuldade sobre o Muro de Berlim. À sua frente, o sonho: a realidade pulsante do Ocidente. Às suas costas, o Oriente cinzento, espectro de todos os seus dramas passados. No horizonte ocidental, ela vislumbra a promessa de felicidade e a liberdade plena; no Oriente, porém, restam a depressão e as amarguras de um mundo sob censura — um lugar onde a voz era silenciada e a vida ditada por figuras autoritárias que a fizeram sentir-se insegura, rejeitada e profundamente envergonhada. Do lado de lá, o convite ecoa, sedutor e constante: "Desça, criança. Venha viver conosco, experimentar a liberdade de ir e vir, conviver sem amarras, desbravar o mundo, cantar, bailar, rir... Venha, simplesmente, ser". Contudo, a criança permanece cativa no cume da barrei...

Para Onde Fogem as Crianças Feridas?

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ao menor sinal de conflito entre duas ou mais pessoas, meu coração dispara e a ansiedade se instala. Meu desejo urgente é apaziguar a guerra, mas sinto-me impotente — e, por vezes, culpado, mesmo que a culpa não me pertença. Nesses momentos, o impulso é fugir. Mas para onde fugiria, se me sinto ainda como uma criança? Então, eu fujo como uma criança ferida: escondo-me dentro de mim, tão profundamente que nem mesmo as lágrimas contidas revelam meu paradeiro. Humildemente, rogo a Deus que me liberte desse impulso insano de escapar do 'aqui e do agora'. A dor da minha própria ausência na vida é um abismo. Comecei a fugir antes mesmo de chegar a qualquer lugar concreto; desde então, o vento da liberdade, que nunca senti no rosto, tornou-se apenas um anseio distante. E os foragidos, bem se...

O Dilema do "Dono" do Grupo

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O mundo está cheio de codependentes; percebo isso claramente, pois também sofro dessa condição. Na minha cidade, existe uma sala de Codependentes Anônimos, mas poucos se dispõem a frequentá-la. Mesmo entre os que comparecem, noto uma profunda dificuldade em abrir-se sobre as questões centrais da nossa dependência. Muitos aparecem uma única vez e desaparecem, deixando as reuniões em um ritmo arrastado, como a chama de uma vela na iminência de se apagar. Na última reunião, voltei para casa pior do que quando cheguei: as falas eram genéricas, distantes das feridas que realmente precisamos tratar. Há dois anos, tento manter esta sala aberta. A companheira que me incentivou a reativar o grupo se foi, e desde então assumi todos os encargos: abro e fecho o espaço, coordeno, preparo o café e pago as ...

Codependência: Um Emaranhado de Arame Farpado

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A codependência em mim funciona como uma corrente que me prende aos outros, transformando-me em um escravo emocional, refém de uma subserviência que dói. Descobri a doença em 2018, após 18 anos de caminhada nos 12 Passos, e desde então passei a externar o que sinto sobre esse aprisionamento. A codependência é tão profunda que perdi a noção das fronteiras entre o "eu" e o "outro". Está tudo emocionalmente tão entrelaçado, tão misturado, que parece um emaranhado de arame farpado: quanto mais tento me soltar, mais me fere. Clique em O Apego Também Dói para ler a crônica anterior, ou em O Dilema do Dono do Grupo para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa...

O Apego Também Dói

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Naquela manhã de primavera fui ao campo plantar árvores antes de iniciar o trabalho no escritório. No caminho, um pensamento me invadiu: "Você está envelhecendo; provavelmente não verá a maioria destas árvores florir, nem estará aqui para protegê-las dos incêndios nos invernos que virão". Se eu não compreender o significado profundo da entrega do Terceiro Passo, posso facilmente cair na armadilha do desânimo e na sensação de que a vida perdeu o sentido. Contudo, "só por hoje" preciso aprender que tudo me pertence, desde que eu consiga despertar o amor em mim — e o amor basta por si mesmo. Afinal, o apego dói mais do que qualquer ferida, até mesmo aquela causada pelo espinho de uma roseira. Clique em Codependência: A Senhora Absoluta para ler a crônica anterior, ou em Cod...