O orgulhoso Boneco de Cera
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Era uma vez um boneco de cera que vivia isolado em seu grandioso e sombrio castelo — uma fortaleza erguida, tijolo por tijolo, sobre o alicerce do puro orgulho. Todas as manhãs, ele se corroía por dentro. Para além de suas muralhas, o mundo despertava banhado por uma luz exuberante. E o boneco de cera detestava a luz. Incapaz de tolerar aquilo, decidiu abandonar a escuridão para enfrentar aquele que, sem sua permissão, ousava iluminar seus domínios. Antes do alvorecer, empunhou sua espada e vestiu sua rígida armadura — feita de ferro e amargura. Marchou até o pátio, disposto a acertar as contas com o sol, cujo clarão sentia como um insulto diário. Permaneceu ali, imóvel, espada em punho, olhar fixo no horizonte. O tempo passou. A claridade foi surgindo, lenta e inexorável. Enraivecido, ele a...