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A Luz no Quarto Escuro

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Li centenas de livros procurando a felicidade sem encontrá-la, por um motivo simples: ela não está fora, está dentro. Sempre que uma leitura me impactava, eu tentava me moldar ao outro. Isso me levou do nada a lugar nenhum — afinal, tentar ser quem não sou é apenas a doença se manifestando. Busquei fora por medo de olhar para dentro, tornando-me um desconhecido para mim mesmo. Hoje, pratico o Quarto Passo como um holofote que lança luz nos cômodos mais escuros e empoeirados do meu ser. Nada resiste a essa luz — nem mesmo o meu quarto mais depressivo e trancado do passado. Reconhecer que tudo habita em mim já é metade do caminho. Não preciso mais controlar os outros para encontrar a paz. Os outros são os outros; eu sou eu. Ainda luto contra esse vício antigo, mas sinto a consciência se expandi...

O amor em forma de renúncia

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O ano era 1999. Eu estava de partida do interior para estudar na capital, carregando comigo o medo, a indecisão e a insegurança. O desejo de partir era grande, mas o de ficar parecia ainda maior. Eu tinha um plano B: uma vaga garantida em uma das melhores escolas técnicas do país, com uma bolsa equivalente a um salário mínimo, estágio imediato na siderúrgica da cidade e a promessa de efetivação ao concluir o curso. Na hora da despedida, mamãe foi até a porta e me deu um abraço profundo. Apesar dos meus dezoito anos, eu me sentia uma criança. Ainda estava vacilante, pronto para mudar de ideia — e, no fundo, acreditava que ela também desejava que eu ficasse. Isso parecia o mais seguro para nós dois. Naquele instante, fiquei à espera de duas palavras: “Fique, meu filho.” Bastaria ouvi-las para q...

A grande pedra do meu tropeço

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Não me lembro exatamente o dia do incidente. Foi no tempo em que eu ainda era criança. Não sei se ia ou voltava de algum lugar, mas a lembrança que ficou viva é esta: tropecei numa pedra e senti muita dor. Ao cair, agarrei-me a ela e, revoltado, disse-lhe asperamente: você nunca mais vai me ferir. Você me paga! Enterrei a pedra num poço e, por mais estranho que pareça, todos os dias ia visitá-la. Queixava-me e lamentava a grande dor que ela havia me causado. Com o tempo, passei a prestar-lhe culto diário. A pedra da minha ferida se transformou num deus para mim. Eu não rezava para ela. Nutria por ela apenas sentimentos negativos: raiva, culpa, ressentimento, frieza, desprezo... Aquela maldita pedra havia virado minha vida de cabeça para baixo e, desde o dia do tropeço, roubado toda a minha al...

O amor oculto por trás da rejeição

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Sempre acreditei que não era o amor que me movia, mas a rejeição. Da escola primária à universidade, fui aprovado. Mas não estudava apenas para aprender ou construir um futuro. Estudava para evitar a reprovação, a vergonha e aquela sensação de não ser aceito que tornava minha existência ainda mais dolorosa. O mesmo padrão me seguiu na vida profissional: “Vão me demitir se eu não fizer tudo de forma impecável”. E nos relacionamentos: “O que vão pensar de mim se eu não conseguir agradá-los?” Durante muito tempo, pareceu que evitar a rejeição era o grande motor da minha vida. Sob essa ameaça, estudei, trabalhei, busquei a excelência e tentei corresponder às expectativas alheias. Atribuía todas as minhas conquistas ao medo de fracassar. Mas como algo que eu tanto desprezava poderia ter me levado ...

As Sementes da Recuperação

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Certa vez, viajando de carro com minha mulher e meus filhos ainda pequenos, ouvi dela uma pergunta despretensiosa: — Meu bem, qual é o seu sonho de consumo? Enquanto mantinha as mãos no volante, avistei no pasto ao lado da estrada a copa frondosa de uma árvore nativa. Respondi de pronto: — Meu sonho de consumo é colher umas sementes daquela árvore para plantar quando a primavera chegar. Foi uma gargalhada geral no carro. Meus meninos caíram no riso e minha mulher, divertida com a resposta, balançou a cabeça: — Só você mesmo, meu bem... Só você mesmo! O tempo passou. Hoje, as sementes daquela árvore de pasto germinaram e, só por hoje, crescem vistosas no meu quintal. A prática dos 12 Passos faz exatamente isso: opera milagres silenciosos no nosso olhar. As coisas mais simples da terra ganham u...

A Lei da Inércia e a Recuperação

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  " Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A Primeira Lei de Newton, também conhecida como Lei da Inércia, afirma: “Todo corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme, a menos que uma força resultante atue sobre ele, modificando esse estado.” Gosto de usar essa lei da Física como metáfora para compreender a doença emocional e o processo de recuperação. Assim como um corpo tende a conservar seu estado de movimento, também eu tendo a permanecer nos padrões emocionais e comportamentais que conheço, mesmo quando me fazem sofrer. Na doença, minha inércia se manifesta na repetição: penso como sempre pensei, reajo como sempre reagi e percorro os mesmos caminhos, esperando resultados diferentes. Para sair desse estado, preciso de uma força capaz de provocar uma mudança. No meu caso, essa força pode vir da dor que já não cons...

O Momento Presente

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A luz do amanhecer dissipa a escuridão da noite, enquanto sou embalado pela orquestra de milhares de cigarras. Experimentar a presença do momento presente, sem a interferência dos meus ruídos mentais, é um presente e uma verdadeira graça. Eu não consigo sozinho. Mas o Poder Superior, como eu O concebo, pode e faz — desde que eu O permita agir. Clique em O Sono Milenar  para ler a crônica anterior, ou em A Lei da Inércia e a Recuperação para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.