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O Sono Milenar

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" — Moço das Letras, percebo que você tem uma grande facilidade para se comunicar com seres inanimados, animais e plantas. Isto é um verdadeiro talento — comentou o leitor. — Isto não é um talento. É, na verdade, uma grande dificuldade que me impulsiona constantemente na direção da minha busca. — Como assim? — Por trás dessa facilidade em me comunicar com os animais, as plantas e as coisas inanimadas através das palavras, esconde-se minha imensa dificuldade emocional de me comunicar com as pessoas mais próximas... Principalmente com a mais próxima de todas elas. — E quem seria essa pessoa tão próxima, Moço das Letras? — Eu mesmo, meu caro leitor. — E onde, afinal de contas, reside essa dificuldade? — Reside no meu sonambulismo. Faz muito tempo que adormeci e, adormecido, me perdi. É por isso qu...

Vergonha Tóxica: A Filha no Canto Escuro

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  " Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A expressão "onde Judas perdeu as botas" costuma definir um lugar distante, isolado, de difícil acesso. Para mim, contudo, esse lugar inacessível é aquele onde habita a minha vergonha tóxica. Sei onde fica. Através de atalhos emocionais já conhecidos, chego lá na velocidade do pensamento. Mas luto para não ir. Edifico barreiras para me proteger desse encontro: rejeição, retraimento, isolamento, fugas, pensamentos acelerados e ansiedade... Se a vergonha tóxica fosse minha filha, seria uma filha renegada. Uma filha a quem eu nunca dirigiria o olhar, escondida num canto escuro da casa. Uma presença insuportável, que me arranca o chão e me lança num abismo de desequilíbrio — sem ação, sem palavra, sem nada. Perdido no tempo e no espaço, desejando apenas desaparecer. A aversão seria ab...

O Mundo é Grande

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Quando eu vivia fechado no meu próprio e escuro mundinho — onde tudo girava em torno do meu umbigo —, eu sentia apenas a minha própria dor. Sentia-me único no mundo. Mas, assim como a manhã sempre chega, a recuperação também veio trazendo a luz. Somente por hoje, percebo que já não estou mais isolado. Que graça! O mundo deixou de girar ao meu redor, e agora, além do que me dói, consigo enxergar e sentir a dor do outro. A recuperação é este grande processo de despertar: o momento em que descobrimos que não estamos mais sós. Neste momento, já não sou mais o único no mundo. Clique em A Fugaz Felicidade Codependente para ler a crônica anterior, ou em Vergonha Tóxica: A Filha no Canto Escuro  para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as m...

A Fugaz Felicidade Codependente

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Desejo intensamente ser feliz, mas nunca agora — é preciso sempre esperar mais um pouco. Meu pai é um homem de estradas. Quando ele voltar, aguardarei a felicidade e, com a sua chegada, serei finalmente pleno. No intervalo entre a partida e o retorno, restam apenas o vazio e uma saudade que pesa e entristece. Até que ele, enfim, retorna, trazendo consigo a minha alegria. Oh, glória! Papai voltou. Agora sou feliz. Contudo, já no dia seguinte, mesmo com ele em casa, volto a ansiar pela felicidade. Ela já se foi, evaporou-se, e eu recaio no velho padrão de buscar o bem-estar não no aqui e no agora, mas num instante futuro que teima em não se fixar. Papai parte novamente em seu caminhão, e o golpe se repete: “Oh, que dor, papai partiu. Se ele ficasse, eu seria imensamente feliz...” E assim o cicl...

O Orvalho no Deserto

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O deserto é tão quente que impede que uma única gota d'água toque o seu solo árido — ela evapora antes mesmo de alcançar o chão. A rejeição que ainda sinto age exatamente assim: como um calor que repele a queda de uma simples gota do momento presente na minha terra ressecada. Para transformar essa realidade, preciso aprender a me entregar. Apenas assim um minúsculo pingo de Deus conseguirá, enfim, tocar a minha alma, transformando-a em solo fértil e cheio de vida — o Terceiro Passo. Assim como uma única fagulha foi capaz de incinerar todo o meu campo, compreendo que basta um toque do Divino para inflamar a minha existência, reacendendo a Sua presença viva dentro de mim. Tenho fé nos resultados da prática do programa de 12 Passos. Clique em A Doença do Eu Sozinho para ler a crônica anteri...

A Doença do Eu Sozinho

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A doença da minha emoção é a doença do “eu sozinho”: aquela em que tenho sempre razão e sei exatamente como curar o mal alheio. Poderia ser também a doença do controle, na qual — é claro — governo tudo para que o mundo funcione do meu jeito. (Seria eu um imperador?) Tento buscar a paz assim: uma paz imposta de fora para dentro, pela força da minha vontade, e nunca pela via do autoconhecimento. Ilusão pura. Arquitetura mental inútil. Poderia ser, ainda, a doença da cegueira espiritual. Enxergo com nitidez cirúrgica os defeitos dos outros, revolto-me com eles e quero transformá-los a todo custo, enquanto sigo cego para as minhas próprias falhas. Para o meu ego imaturo, o mundo deveria ser uma galeria de espelhos projetando a minha figura por onde eu caminhasse. A glória máxima do velho ego... Q...

Lugar de Bodes é no Pasto

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O problema não está naquilo que compartilho nas Salas de 12 Passos. O que verbalizo é solução: é luz, recuperação e libertação. O verdadeiro problema — e que problema! — está naquilo sobre o que me calo. Está no que ainda escondo e que me prende a velhos julgamentos e a padrões de comportamento já arruinados: os meus velhos bodes. Aquilo que compartilho me liberta; aquilo que oculto me aprisiona. Guardado por tanto tempo, apodreceu dentro de mim, fazendo-me um mal imenso. Uma Sala de 12 Passos é o único lugar no universo onde posso ser verdadeiramente eu mesmo, sem julgamentos, expressando-me com a mais profunda liberdade. Nem mesmo numa fuga para Marte eu encontraria tamanha acolhida e confiança. Quando falo com o coração, muitos me ouvem e — que maravilha — ninguém me critica. Pelo contrári...