Botafogo: Estação Terminal
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Diziam que depois de Botafogo havia um túnel escuro. E eu preso na estação carregava o pior medo: atravessá-lo. Estava cansado. Cansado de andar por aquelas estações há anos. Deixei de acreditar nos trens, no ir e vir, na vida. Sobretudo, deixei de acreditar em mim mesmo. Nada mais fazia sentido. Dia após dia, parado em Botafogo, estação terminal para mim, esperava o próximo trem pra voltar. Jurava que embarcaria. Imaginava trens especiais, sempre o próximo. Todos passavam. Eu, paralisado. Queria embarcar, mas não conseguia. Preso no tempo, na vida, na estação, em mim mesmo. Vivia no vazio, no cárcere pessoal, cercado pelo medo do túnel que vinha depois. Não conseguia mover-me. Uma força invisível me detinha. Voltar era impossível. Já conhecia todas as estações anteriores: Catete, Flamengo, L...