As Duas Bolhas
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Observei duas bolhas, transparentes como gotas d’água, lado a lado. Na primeira, uma criança. Carregava tristeza, angústia e uma carência funda. Em sua dor, procurava alguém que aplacasse seu sofrimento. Na segunda, um adulto. Mente acelerada, um mar sem fim de pensamentos, fugas e fantasias. Racional ao extremo, mas por dentro o mundo era escuro, triste, depressivo. Também buscava alguém — talvez uma alma gêmea — que rompesse sua solidão absoluta. Apesar de tão próximas, a criança não via o adulto. E vice-versa. Na bolha dela, uma placa: “Criança Codependente”. Na dele: “Adulto Neurótico”. Não sei como, mas as bolhas sumiram. Uma força poderosa os atraiu, creio que tenha sido a força do amor. No encontro, fundiram-se. Adulto e criança tornaram-se um só — sem neurose, sem codependência. Públi...