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Para Onde Fogem as Crianças Feridas?

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ao menor sinal de conflito entre duas ou mais pessoas, meu coração dispara e a ansiedade se instala. Meu desejo urgente é apaziguar a guerra, mas sinto-me impotente — e, por vezes, culpado, mesmo que a culpa não me pertença. Nesses momentos, o impulso é fugir. Mas para onde fugiria, se me sinto ainda como uma criança? Então, eu fujo como uma criança ferida: escondo-me dentro de mim, tão profundamente que nem mesmo as lágrimas contidas revelam meu paradeiro. Humildemente, rogo a Deus que me liberte desse impulso insano de escapar do 'aqui e do agora'. A dor da minha própria ausência na vida é um abismo. Comecei a fugir antes mesmo de chegar a qualquer lugar concreto; desde então, o vento da liberdade, que nunca senti no rosto, tornou-se apenas um anseio distante. E os foragidos, bem se...

O Dilema do "Dono" do Grupo

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O mundo está cheio de codependentes; percebo isso claramente, pois também sofro dessa condição. Na minha cidade, existe uma sala de Codependentes Anônimos, mas poucos se dispõem a frequentá-la. Mesmo entre os que comparecem, noto uma profunda dificuldade em abrir-se sobre as questões centrais da nossa dependência. Muitos aparecem uma única vez e desaparecem, deixando as reuniões em um ritmo arrastado, como a chama de uma vela na iminência de se apagar. Na última reunião, voltei para casa pior do que quando cheguei: as falas eram genéricas, distantes das feridas que realmente precisamos tratar. Há dois anos, tento manter esta sala aberta. A companheira que me incentivou a reativar o grupo se foi, e desde então assumi todos os encargos: abro e fecho o espaço, coordeno, preparo o café e pago as ...

Codependência: Um Emaranhado de Arame Farpado

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A codependência em mim funciona como uma corrente que me prende aos outros, transformando-me em um escravo emocional, refém de uma subserviência que dói. Descobri a doença em 2018, após 18 anos de caminhada nos 12 Passos, e desde então passei a externar o que sinto sobre esse aprisionamento. A codependência é tão profunda que perdi a noção das fronteiras entre o "eu" e o "outro". Está tudo emocionalmente tão entrelaçado, tão misturado, que parece um emaranhado de arame farpado: quanto mais tento me soltar, mais me fere. Clique em O Apego Também Dói para ler a crônica anterior, ou em O Dilema do Dono do Grupo para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa...

O Apego Também Dói

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Naquela manhã de primavera fui ao campo plantar árvores antes de iniciar o trabalho no escritório. No caminho, um pensamento me invadiu: "Você está envelhecendo; provavelmente não verá a maioria destas árvores florir, nem estará aqui para protegê-las dos incêndios nos invernos que virão". Se eu não compreender o significado profundo da entrega do Terceiro Passo, posso facilmente cair na armadilha do desânimo e na sensação de que a vida perdeu o sentido. Contudo, "só por hoje" preciso aprender que tudo me pertence, desde que eu consiga despertar o amor em mim — e o amor basta por si mesmo. Afinal, o apego dói mais do que qualquer ferida, até mesmo aquela causada pelo espinho de uma roseira. Clique em Codependência: A Senhora Absoluta para ler a crônica anterior, ou em Cod...

Codependência: A Senhora Absoluta

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  " Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Como a codependência se manifesta em mim? Ela simplesmente diz: "Viajante Emocional, quem manda aqui sou eu. Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço; caso contrário, a coisa vai ficar preta para o seu lado. Jamais entre em controvérsias comigo, nunca me desobedeça. Engula seus sapos sem questionar, chore quietinho pelos cantos, agrade a todos ao seu redor — mesmo aqueles que te ferem. Se não o fizer, jamais conhecerá o céu e continuará trancado aqui comigo, neste inferno mental e emocional sem fim. E olhe bem, Viajante Emocional... nem perca tempo procurando um Poder Superior. Eu sou a Senhora absoluta da sua vida, e somente a mim você deve prestar culto." No processo de recuperação em 12 Passos, porém, descubro que não existem fórmulas ou pensamentos mágicos capazes de me ...

O Equilibrista Embriagado na Corda Bamba

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Quando a codependência me domina, sinto-me como um equilibrista embriagado, tentando desesperadamente manter pratos girando sobre uma corda bamba, estendida acima de um abismo sem fim. Minha insegurança, medo, culpa, vergonha tóxica e solidão não são apenas sentimentos; são absolutos que me consomem. Sinto-me como uma criança amedrontada, não mais no controle dos pratos, mas à deriva no turbilhão emocional entre as pessoas em conflito ao meu redor, incapaz de estabilizar meu frágil barquinho. Há dois dias habito esse estado de desamparo. Se minha neurose fosse uma casa, minha codependência seria o porão: um lugar fechado e mantido em segredo, um refúgio sombrio onde a criança chora e a mãe jamais chega a ver. Minha codependência é, enfim, essa madrasta cruel que não suporta a própria existênc...

Era Muita Areia Para o Meu Caminhão

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Antes de iniciar minha jornada nos 12 Passos, eu tinha um plano infalível para ser feliz — ou, pelo menos, era o que eu acreditava. Para compensar anos de negligência comigo mesmo, decidi que o Ano Novo seria o marco de uma transformação radical: aulas de canto, oratória, empostação de voz, dança de salão e yoga. Tudo ao mesmo tempo, em uma grade quase impossível. Morando em Niterói e trabalhando no Rio, minha rotina se tornou uma maratona frenética. Era uma logística exaustiva: barcas, trânsito, idas e vindas entre o Centro, a Zona Sul e o Jardim Botânico. Eu comia entre uma aula e outra, mal respirava e, ao chegar em casa, o corpo e a mente imploravam por silêncio. Naturalmente, essa "areia" era demais para o meu caminhão. Minha mente, sempre a mil por hora, tentava compensar o pa...