Meus Botequins, Meu Ego, o Dilúvio e a Arca de Noé
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Chovia uma barbaridade, chovia a cântaros naquela tarde de fevereiro do ano da graça de 2023; chovia tanto que parecia até a chuva do dilúvio do fim do mundo, mas como não vi a barca de Noé não me preocupei muito. — Preciso beber, preciso fugir, fugir de mim e esquecer meu passado, fugir de mim e projetar um futuro grandioso, preciso beber, mas mesmo não bebendo preciso ir agora mesmo para um dos meus inúmeros e internos botequins mentais e emocionais — são muitos —, ou mesmo um botequim do mundo real, para então fugir numa conversa fiada; fugir num carteado; fugir num jogo de dominós; fugir assistindo a um jogo de futebol; fugir acompanhando uma série na televisão; fugir assistindo a uma infinidade de filmes; fugir falando dos outros; fugir para esquecer de mim; fugir para o mundo da fantas...