Emoções e Sentimentos
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Emoção e sentimento parecem a mesma coisa no dia a dia, mas vejo como etapas diferentes do que acontece dentro de mim.
Minha emoção é o o que acontece primeiro, automática e fisicamente: Uma reação rápida do meu cérebro que desencadeia um estímulo no meu corpo. É biológica e dura segundos ou poucos minutos. Quando surge, sinto meu coração acelerado, suor frio, nó na garganta, frio na barriga, tensão nos ombros...
Poderia exemplificar como o medo ao ver uma cobra, nojo com comida estragada, surpresa com um susto, raiva quando eventualmente sinto-me contrariado, irritação quando alguém grita comigo...
Algumas emoções básicas que além de mim creio que grande parte das pessoas também possuam: Alegria, tristeza, raiva, medo, nojo, surpresa, irritação. A emoção que sinto é como o "alarme" do meu corpo, não está sob o meu controle e não escolho senti-la.
Meu sentimento é o que vem depois da minha emoção, é mental e também a interpretação consciente da emoção. É aquilo que conto para mim mesmo sobre o que estou sentindo no meu corpo. É aprendido por repetição mental sistemática e dura muito mais tempo.
Meu cabeção pensante analisa minha emoção, nomeia e dá significado, e então vira sentimento, algo mais ou menos como pensamentos, memórias e julgamentos ligados àquela sensação física segundo a minha interpretação. A partir do meu medo (emoção) eu sinto insegurança (sentimento); a partir da minha raiva (emoção) eu sinto ressentimento (sentimento); a partir da minha alegria (emoção) eu sinto gratidão ou amor (sentimento).
Meus sentimentos são de longa duração e podem durar horas, dias, meses ou anos, porque eu posso simplesmente ficar remoendo tudo isto por um longo tempo. O sentimento é a história que eu escrevo sobre o alarme no meu corpo — minha emoção.
Uma emoção muito antiga... A diretora da escola falou duramente comigo diante de todos os meus colegas de sala e de minha amada e inesquecível professora primária. Eu era o vexatório centro das atenções. Na sala um silêncio sepulcral. Minha emoção naquele momento foi de medo instantâneo, com liberação de adrenalina no meu corpo que travou para não cair, travou para não sentir, travou para fugir da li para todo o sempre e além.
Na verdade o meu desejo era cair para sempre num buraco e nunca mais ser visto por ninguém. Depois do incidente desagradável meu cabeção pensante entrou em ação por incontáveis vezes começando a contar uma história: "Que humilhação, eu não merecia ter passado por isto, ela foi injusta comigo."
Desta sensação de humilhação que se repetiu muitas vezes na minha infância, com as repetidas histórias do meu pensar compulsivo e doentio, nasceu um dos meus mais terríveis e nocivos sentimentos: A Vergonha Tóxica, a triste história em que acreditei.
Sem a emoção inicial, o medo da diretora cruel, o sentimento de Vergonha não teria matéria-prima para concretizar-se, e sem ele eu nem me lembraria mais disso numa noite de outono sessenta anos depois. É por estas e outras que eu sou um neurótico e codependente em busca de recuperação.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.
Clique em O Palito Rejeitado para ler a crônica anterior.

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