O Palito Rejeitado

 

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



Um palito de fósforo, esquecido sobre o fogão frio. Foi riscado pela metade, não pegou fogo e quebrou em dois. Um fim pequeno, antes mesmo de conhecer sua própria chama.

Olho para ele com compaixão. Eu sei o que é ser abandonado, ser descartado antes da tentativa. Pego-o com cuidado e digo baixinho:

“Você já tem o ‘não’ do mundo. Não tem nada a perder. Vou te riscar de novo, apesar de tudo. Eu confio em você. E seja qual for o fim, estaremos juntos. Eu conheço essa dor.”

Abro o gás. Risco o palito. A cabeça incendeia, se solta da trempe e despenca, prestes a morrer. Mas o gás a alcança. E a chama nasce.

Terminei meu café numa manhã fria de outono. Na minha memória afetiva, ficou a trempe acesa, a chama azulada dando calor… e a gratidão silenciosa de um palito de fósforo que foi resgatado para a vida, ainda que por pouco tempo.

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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