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Mostrando postagens de julho, 2026

A Capa da Ausência

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Sempre fui fascinado pelos filmes do Homem Invisível. A ideia de poder estar em qualquer lugar sem ser notado era incrivelmente atraente. Mas, ao refletir sobre isso, percebi que buscava algo mais profundo: talvez eu quisesse ser invisível porque, no fundo, tinha medo de ser ferido. A capa da invisibilidade do herói nunca foi uma opção para mim. Em vez disso, criei a minha própria versão — a capa da ausência. A diferença é sutil, mas profunda. O Homem Invisível está presente no mundo, interagindo com as coisas e as pessoas, mesmo que ninguém possa vê-lo. Já eu, com a minha capa da ausência, estou fisicamente presente, notado por todos, mas minha mente e meu coração raramente habitam o lugar onde piso. É uma sensação estranha viver escondido no meio de uma multidão, desconectado do mundo e pro...

Conversa de Neurótico

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Eu, na condição de neurótico, penso de forma A, ajo de forma B e falo de forma C. — Uai, moço, então o C é neurótico! Mas é claro que não! — Uai, sô, mas o C escreveu isto. Mas é claro que sim... ah, é porque eu escrevo de uma forma D. — Mas como assim o C escreve de uma forma D? De uma forma D doido. — Uai, esse trem tá complicado, então o C é doido! Mas é claro, eu não sou doido. — Moço, mas então o C é completamente neurótico! Mas é claro, o neurótico é o C. — Moço, vamos parar com essa prosa, o C é muito complicado. O C tem razão — mas é claro que eu não sou neurótico. — Até que enfim chegamos num entendimento desse trem, sô. O C tem razão, mas é claro que eu não sou neurótico: o neurótico é o D e o doido é o C. Clique em O Toque de Deus para ler a crônica anterior, ou em A Capa da Ausên...

O Toque de Deus

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Eu preciso tocar nas minhas feridas emocionais diariamente. É um toque doloroso, mas, se o evito, a angústia se torna ainda mais intensa. O que machuca já não é a ferida em si, mas a ausência do meu próprio toque — o eco da minha autorrejeição. É um paradoxo perverso: ao tentar fugir do sofrimento, eu o amplifico; ao ousar tocar minhas feridas, eu abro caminho para a cicatrização. Se eu não me toco, torno-me intocável para o mundo. E, conforme concebo o divino, preciso ardentemente do toque Dele para reaprender a me acolher e, assim, sentir transbordar o meu próprio toque de amor por todas as expressões da vida. Clique em O Agricultor e o Incendiário para ler a crônica anterior, ou em Conversa de Neurótico para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito mai...

O Agricultor e o Incendiário

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ontem, fui ao campo. Estava em paz, acreditando que o aceiro impediria o fogo de avançar até lá.  Mas ele chegou. Queimou muitas árvores e me deixou uma profunda tristeza.  “Como isso aconteceu, se a área está protegida?” Olhando em volta, vi muito pasto queimado ao longe. Na cerca, o fogo sempre parava. Ele não entrou sozinho. Percebi: quem entrou foi o incendiário. Por um impulso doentio, riscou o fósforo na área de reflorestamento. Em meu próprio processo de recuperação em 12 Passos, preciso aceitar que foi o fogo que queimou meu campo, não a pessoa. Se eu me prender à raiva e a pensamentos de vingança contra alguém que nem conheço, retorno ao ressentimento, ao vitimismo e à doença. Só por hoje, o irmão fogo consumiu as árvores do amado campo degradado que adotei com amor.  Eu aceito e...

O Passo da Prontificação

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" No Sexto Passo, me prontifico inteiramente a deixar que Deus remova todos os meus defeitos de caráter. Demorei uma barbaridade para compreender este passo; a princípio, achava que era um erro de impressão, algo totalmente sem sentido. Estava redondamente enganado... Eu não conseguia entender o sentido do Passo Seis simplesmente por não enxergar que eu possuía — e ainda possuo — defeitos de caráter. A raiz da minha doença emocional é a negação de minhas próprias falhas. É uma patologia que deturpa tudo ao meu redor, transformando os outros em seres defeituosos e chatos que precisam ser corrigidos por mim. É ela que faz de mim um Dom Quixote moderno, saindo de casa todos os dias para tentar transformar o mundo à força, em uma cruzada de absoluta insanidade. A profundidade da minha recuperação é...

Meu Pasto Mental

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Passo por um pasto no campo, olho para ele e penso: "Poderia plantar mil árvores aqui." Pouco depois, passa um construtor e pensa: "Daria para erguer um condomínio de prédios neste espaço." Passa um pecuarista e calcula: "Conseguiria engordar duzentos bois neste pasto." Passa um agricultor e vislumbra: "Aqui nasceria um lindo milharal." Passa um pintor e se encanta: "Que cenário belo, preciso retratá-lo em tela." Passa um religioso e projeta: "Poderia construir um templo sagrado neste pedaço de chão." Até que passa um piromaníaco. Olha e nem pensa: vai direto à borda do capinzal, risca um fósforo e sente uma alegria doentia ao ver tudo arder em chamas. O pasto é exatamente o mesmo, mas a perspectiva e a reação diante dele mudam confo...

O Passo da Entrega

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O Terceiro Passo é o Passo da entrega a um Poder Superior, conforme eu O concebo. Mas a verdade é que eu já conhecia a entrega... Durante muitos anos, vivi profundamente à mercê de quadros depressivos graves, experimentando de forma intensa e constante cada minuto dos meus infortúnios mentais. Por muito tempo, entreguei-me de corpo e alma às minhas dores, aos meus medos, aos meus horrores, às minhas angústias e às minhas desilusões intermináveis. Entreguei-me verdadeiramente a isso. Eu conheço a entrega. E, por conhecê-la tão profundamente — e também por ignorância espiritual —, acabei entregue à minha própria escuridão, entregue à minha própria indigência. Hoje, no café da manhã, isso me veio à cabeça. Refleti e pensei: "Viajante Emocional, se você tem essa força extraordinária de entre...

Eu Preciso Muito das Reuniões de 12 Passos

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ontem, fui à reunião presencial de 12 Passos e foi incrível! A sala estava lotada, o que me encheu de alegria. Nos últimos dois anos, cheguei a pensar em desistir, pois muitas vezes éramos apenas dois ou três companheiros e, em alguns dias, eu estava sozinho. Mas, no fim, um deles se aproximou com um sorriso largo e me disse: "Que bom que não desistimos, companheiro!"  Foi um momento inesquecível. Quanto mais convivo com o mundo lá fora, mais sinto a necessidade de estar nas reuniões. Lá, encontro um refúgio seguro onde posso ser quem sou, sem as máscaras que uso diariamente para sobreviver. Não as visto por desonestidade, mas como um mecanismo de defesa para me proteger de feridas. Contudo, começo a entender que é inútil tentar controlar o olhar dos outros sobre mim. As feridas são...

Meu Ego Nunca Está Presente

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Na depressão, eu tinha medo de sonhar com a felicidade, acreditando que meus desejos jamais se realizariam — sofri muito com esse padrão mental distorcido. Na codependência, eu sempre sonhava com situações felizes, mas, quando esses sonhos se realizavam, logo inventava outro para tentar ser feliz — e continuo sofrendo com essa distorção até hoje. Meu ego mental nunca está presente em lugar nenhum, pois ele só habita o meu passado e o meu futuro. Clique em O Adulto Neurótico e a Criança Ferida para ler a crônica anterior, ou em Eu Preciso Muito das Reuniões de 12 Passos para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida. Paz, serenidade e mu...

O Adulto Neurótico e a Criança Ferida

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Segunda-feira de Carnaval. Acordei cedo e, antes de qualquer pensamento, fui tomada pela minha velha e profunda angústia. Logo em seguida, minha mente trouxe à tona a figura da criança que fui um dia — e era dessa criança que brotava toda a minha dor. Na penumbra da aurora, percebi nessa criança a insegurança diante da vida, o medo de lidar com as pessoas e uma absurda dificuldade de habitar o aqui e o agora. Era como se ela vivesse em um ambiente hostil, sentindo-se rejeitada por todos. Grande é a sua carência; profunda e sem palavras, a sua dor. Sou alguém cujas emoções — e muitas vezes as dos outros — interferem a ponto de me roubar a paz e a alegria. Mas esses sentimentos desconcertantes são apenas as máscaras que eu, o adulto, usei ao longo dos anos, por não compreender que a dor origina...

As Lentes Espirituais

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" No Programa de 12 Passos, os passos e as tradições estão para a recuperação assim como os óculos estão para o míope: melhoram nossa visão. Para nós, os neuróticos, que na obstinação de achar que tudo gira em torno dos próprios pensamentos, o uso diário dessas lentes espirituais — os Passos e as Tradições — nos ajuda a enxergar com clareza, coragem e humildade. Muitas vezes, veremos o que nunca antes fomos capazes de notar, e a revelação diante de nós mesmos e da vida pode ser assustadora. Mas o processo de recuperação é assim mesmo. O pior cego é aquele que não quer ver; e, se cego não guia cego, aqueles dentre nós, os neuróticos, que se recusarem a usar essas lentes espirituais viverão muitos de seus dias mergulhados na escuridão de si mesmos. A depressão foi o lugar mais escuro e angustiant...

Existe Um Estreito em Mim

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O Estreito de Ormuz é um canal vital, uma passagem estreita por onde o mar insiste em fluir. Em minha própria mente — muitas vezes fechada e introspectiva — também existe um estreito. Um canal maravilhoso que funciona como o meu ponto de acesso à realidade. Sem essa passagem, a que chamo carinhosamente de 'Estreito do Viajante Emocional', eu teria me perdido nas profundezas do meu próprio isolamento. Agradeço a Deus por essa graça. Não é através deste estreito que escoa o petróleo do mundo, mas a minha própria sanidade, permitindo que a vida — e Deus, como O concebo — continue a habitar em mim. Clique em Brotam Árvores em Minha Mente para ler a crônica anterior, ou em As Lentes Espirituais para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que to...

Brotam Árvores em Minha Mente

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Durante anos, minha rotina amanhecia sob o peso de uma angústia que crescia silenciosa, tornando cada dia mais sufocante. Com o tempo, percebi que, junto a esse pesar, brotavam também árvores em minha mente — uma floresta estranha e latente que eu nunca soubera nomear. Cansado de cultivar apenas o sofrimento, decidi transpor essas árvores da imaginação para o solo da realidade. E, à medida que elas ganham vida e raízes lá fora, sinto que a angústia, aqui dentro, enfim começa a diminuir. Clique em A Bússola de Minha Espiritualidade para ler a crônica anterior, ou em Existe Um Estreito em Mim para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida...

A Bússola de Minha Espiritualidade

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Tentei me proteger do sofrimento criando um mundo mental isolado e idealizado, um refúgio onde acreditei que a dor não poderia me encontrar. Foi uma amarga ilusão. Quando me fechei para o mundo, criei um vazio onde não cabia a alegria, a conexão humana ou o amor. Afastei-me de quem eu era e perdi o rumo da minha fé. Mas, em meio a essa escuridão, algo essencial permaneceu: o Programa de 12 Passos. Foi a luz que me impediu de desistir de tudo. Agradeço ao Poder Superior, conforme eu O concebo, por ter tido a clareza de não fechar essa porta, permitindo que a esperança voltasse a ser o meu norte, a bússola de minha espiritualidade. Clique em Vergonha Tóxica: A Soberana do Castelo para ler a crônica anterior, ou em Brotam Árvores em Minha Mente para ler a seguinte. Pública é a minha codependên...

Vergonha Tóxica: A Soberana do Castelo

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" No meu mundo egocêntrico, a Rejeição é a sentinela da minha Vergonha Tóxica, a soberana do castelo. Ela barra qualquer aproximação; nada entra, nada sai. A senhora deste feudo, consumida pela própria desdita, escolheu o exílio na torre mais alta. Ao redor, um fosso intransponível — profundo e escuro como a própria depressão — serve de refúgio onde a Vergonha mergulha nos dias de maior dor, recolhendo-se ao vazio. Sobre este cenário, porém, vigia um senhor feudal implacável: o Orgulho. Ele é o vassalo leal de um domínio ainda mais vasto: o reino onde o meu Ego reina absoluto. Clique em O Mar Verde da Gratidão para ler a crônica anterior, ou em A Bússola de Minha Espiritualidade para ler a seguinte. Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões...