O Adulto Neurótico e a Criança Ferida
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Segunda-feira de Carnaval. Acordei cedo e, antes de qualquer pensamento, fui tomada pela minha velha e profunda angústia. Logo em seguida, minha mente trouxe à tona a figura da criança que fui um dia — e era dessa criança que brotava toda a minha dor.
Na penumbra da aurora, percebi nessa criança a insegurança diante da vida, o medo de lidar com as pessoas e uma absurda dificuldade de habitar o aqui e o agora. Era como se ela vivesse em um ambiente hostil, sentindo-se rejeitada por todos. Grande é a sua carência; profunda e sem palavras, a sua dor.
Sou alguém cujas emoções — e muitas vezes as dos outros — interferem a ponto de me roubar a paz e a alegria. Mas esses sentimentos desconcertantes são apenas as máscaras que eu, o adulto, usei ao longo dos anos, por não compreender que a dor original não reside no adulto neurótico, mas na criança carente, codependente e perdida que habita em mim e que todos os dias reclama a minha atenção.
Ah, meu Senhor e meu Deus, quem afinal está sofrendo: eu, o adulto, ou a criança em mim que nunca relaxa e jamais adormece?
Ah, meu Senhor e meu Deus, sou eu, o adulto, apenas o reflexo de uma criança que sofre, ou seria eu o verdadeiro responsável pelo abandono dela e o causador de todas as suas dores?
Ah, meu Senhor e meu Deus, no meu egocentrismo, fechado em meu próprio mundo, teria eu abandonado essa criança e, a partir de então, tomado por uma culpa inconsciente, passado a vagar como um autômato, arrastando as pesadas correntes do remorso por uma realidade que recuso a aceitar?
Ah, meu Senhor e meu Deus, quem teve a enorme dificuldade de relacionamento com o pai terreno: eu, o adulto, ou a criança em mim?
Ah, meu Senhor e meu Deus, quem foi que, a partir do distanciamento emocional com o pai humano, também se afastou de Ti, o Pai supremo: eu, o adulto, ou a criança em mim?
Meu Senhor e meu Deus, seja qual for a resposta, eu Te peço: acolhe-me exatamente como sou e concede-me o dom de amar, para que eu também possa abraçar incondicionalmente essa criança perdida e sofrida em meu interior, que me busca desde os dias em que me perdi.
Amarás a Deus sobre todas as coisas e a criança que habita em ti como a ti mesmo.
Clique em As Lentes Espirituais para ler a crônica anterior, ou em Meu Ego Nunca Está Presente para ler a seguinte.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.
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