As Telas
" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Convivo com as telas desde os anos 80. A primeira delas ficava em um escritório no Castelo, centro do Rio de Janeiro, bem em frente ao consulado francês. O consulado e o prédio onde trabalhei ainda estão lá; a tela e a empresa, não. Naquela época, tudo era novo e deslumbrante. Aquele era o meu primeiro emprego formal, o início da minha carreira, e ter uma tela de computador exclusiva sobre a mesa era um verdadeiro privilégio. Eu gostava daquela interface de fundo verde e, até hoje, tantos anos depois, ainda consigo sentir o encanto de digitar palavras e receber de volta a resposta da máquina. Ao longo de dez anos, aquela tela — e as que vieram depois — funcionou como um refúgio. Diante delas, eu sentia que pertencia ao mundo, criando projetos e escrevendo programas que me levavam a um lugar d...