Sobre a Gratidão


"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Eu havia fugido geograficamente em busca da felicidade, mas encontrei, longe do lugar onde vivia, o que sempre esteve bem perto e dentro de mim: a depressão.

Distante da minha terra natal, a dor que eu sentia sem saber nomear se tornou ainda mais intensa. Eu fui parar nos porões mais profundos das minhas depressivas dores que me acompanharam por toda a vida.

A dor era tão grande que eu pensei que enlouqueceria. Foi então, no exílio, que descobri o amor em mim pelas árvores. Passei a coletar sementes e cultivá-las, encontrando refúgio na repetição e na persistência dessa tarefa. Sob a sombra de um pé de manga rosa, eu enchia saquinhos com terra para semear as sementes das árvores que plantaria mais tarde. Essa ação foi a minha tábua de salvação, o que me impediu de sucumbir às terríveis dores emocionais.

Quatro anos depois, retornei ao meu estado natal e, algum tempo depois, comecei a cuidar de mim mesmo via o Programa de 12 Passos. No dia em que me mudei de Sorocaba para o Rio de Janeiro, fui até o pé de manga rosa pela última vez. Despedi-me dele, agradecendo pela sombra amiga e pelo acolhimento que me deu durante aqueles anos difíceis. Mas, naquele momento, senti algo mais profundo dentro de mim, percebi que não foi apenas a mangueira que cuidou de mim, mas todas as árvores que plantei cultivadas sob sua sombra e proteção.

A alegria que senti foi imensurável. Sob a copa da mangueira rosa, fiz uma promessa: "Árvores amigas, minha gratidão é tão grande que, de hoje em diante, para cada dia que a vida me der, eu retribuirei com uma árvore plantada no chão". 

Trinta anos se passaram, e essa promessa vem sendo cumprida diariamente, não como um dever, mas como um ato de carinho, fé e respeito pela vida.

Acredito que a gratidão seja prima do amor, e quando o amor nos toca, ninguém nos detém. Meu coração sabe o que é sentir, minha mente não, e quando caminho entre as milhares de árvores plantadas, sinto-me imerso num vasto mar verde de pertencimento à vida. Isso desperta em mim uma gratidão imensurável por um Poder Superior amoroso, conforme eu O concebo."

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Clique em A Mente Só Mente para ler a crônica anterior, ou em O Meu Vizinho do Lado para ler a seguinte.

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