Era Muita Areia Para o Meu Caminhão
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Antes de iniciar minha jornada nos 12 Passos, eu tinha um plano infalível para ser feliz — ou, pelo menos, era o que eu acreditava. Para compensar anos de negligência comigo mesmo, decidi que o Ano Novo seria o marco de uma transformação radical: aulas de canto, oratória, empostação de voz, dança de salão e yoga. Tudo ao mesmo tempo, em uma grade quase impossível.
Morando em Niterói e trabalhando no Rio, minha rotina se tornou uma maratona frenética. Era uma logística exaustiva: barcas, trânsito, idas e vindas entre o Centro, a Zona Sul e o Jardim Botânico. Eu comia entre uma aula e outra, mal respirava e, ao chegar em casa, o corpo e a mente imploravam por silêncio.
Naturalmente, essa "areia" era demais para o meu caminhão. Minha mente, sempre a mil por hora, tentava compensar o passado com uma sobrecarga presente, ignorando completamente que eu tinha limites humanos. Gradualmente, o castelo de cartas desabou: fui abandonando cada atividade, não por falta de vontade, mas por exaustão absoluta.
Olhando para trás, vejo o padrão da minha antiga mente: o perfeccionismo que não aceita o tempo necessário para florescer. Hoje, minha realidade é outra. O programa dos 12 Passos me ensinou que o equilíbrio não está em fazer tudo, mas em fazer o que é possível com serenidade. "Só por hoje" substituiu a pressa. Continuo frequentando as reuniões e, finalmente, aprendi que ser feliz não é uma corrida de obstáculos, mas um caminhar compassivo comigo mesmo.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

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