O Boleto da Alma: O Custo de não se tratar

 

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


A conta da doença emocional, tal como os demais boletos que pago todos os meses, é pontual. Ela chega, inevitavelmente. Um dos sintomas mais perversos do adoecimento emocional é a negação: eu sabia que não estava bem, mas insistia em acreditar que o problema era externo — que a culpa era do mundo, dos outros, das circunstâncias. E, ainda assim, a conta continuava a chegar.

Lá vem o boleto da água; lá vem o gás; a internet; o IPTU; o condomínio. E, entre eles, o mais pesado: o boleto da doença das emoções. Um boleto amargo, de vencimento diário.

O curioso — e o mais desafiador — é que não posso quitar essa dívida com o dinheiro que circula no mundo. A moeda de pagamento é outra. Ela é emocional, e suas cédulas vêm estampadas com sentimentos que, mesmo revestidos de ouro, queimam ao toque: o medo, a rejeição, a insegurança, a sensação constante de inadequação. Pago com ressentimentos, mágoas, com a raiva congelada e a vergonha tóxica. Pago com o controle obsessivo, com as ilusões que criam mundos mágicos e com os pensamentos destrutivos que constroem depressões profundas. Pago com a angústia, o vazio e a eterna sensação de não pertencimento.

Por muito tempo, vivi no "cheque especial" dessa doença, pagando juros exorbitantes de dor. Mas, em um programa de 12 passos, descobri que não preciso mais viver endividado.

Hoje, venho honrando as dívidas relativas à minha saúde mental. Percebo, com alívio, que as contas estão ficando mais leves. A cada reunião, realizo uma amortização: pago uma parcela da ignorância com a consciência; substituo o peso do passado pela serenidade do presente.

Aos poucos, o saldo da minha alma começa a se equilibrar. E o melhor: descobri que, na recuperação, o crédito é infinito — não para sofrer, mas para encontrar, finalmente, a paz que sempre esteve escondida dentro de mim.

Clique em O Estranho Caçador de Passarinhos para ler a crônica anterior.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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