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Meu Ego e o Fio da Navalha

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Meu caminho — o momento presente — é tão estreito quanto o fio de uma navalha; caminho por ele segurando uma vara — meu Poder Superior — tentando manter o equilíbrio entre os dois abismos que me cercam: Do meu lado esquerdo o abismo do meu passado e do direito o abismo do meu futuro. Enquanto vou tentando manter o equilíbrio sustentando a vara, sou a todo instante tentado pelo meu ego — o senhor dos abismos —, que rouba a minha atenção do estreito caminho — o aqui e o agora —, levando-me invariavelmente a largar a vara e a rolar feito uma bola abismo abaixo, ora no passado, ora futuro  — consegue visualizar a cena? Todas as vezes que tropeço, indo para o fundo de um destes abismos, tenho a consciência  —  antes não era assim  —,   que deixei o caminho estreito, e que a minha per...

Meu Ego: Um Lobo em Pele de Cordeiro

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vi impresso nos tijolos do muro do meu isolamento o doloroso silêncio de minhas emoções não expressas. Na depressão, meu ego é calado; na euforia, um grande tagarela. Todas as vezes que me envolvo com o meu ego saio perdendo, isto é uma lei. Meu ego possui milhões de máscaras e está tão unido comigo que nem eu mesmo sei onde começo e onde ele termina, como se fossemos farinha do mesmo saco. Todas as vezes que sofro, que fujo para o passado, ou idealizo um futuro maravilhoso para ser feliz, isto é obra dele, mais um embuste para iludir-me, e eu caio como um pato; quando me irrito com ele e o mando para os quintos dos infernos, vou juntamente com ele e sofro; quando fico jururu pelos cantos sonhando com todas aquelas moças bonitas que não namorei, eis que é ele novamente, rindo de minha fossa p...

O Inimigo, o Demônio e a Criança Interior Ferida

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" No primeiro dia era um inimigo oculto dentro de mim  —  meu bode expiatório ; eu não sabia nada a respeito dele, e por muitos anos sofri com seus intermináveis pensamentos negativos que me levavam, invariavelmente, para o pior lugar do meu universo pessoal: Meu depressivo poço. Brigávamos constantemente  e eu desejava muito que ele fosse embora para sempre . No segundo dia descobri que o meu inimigo oculto  — o responsável pelas minhas dores morais —  era profundamente manipulador, controlador e um grande trapaceiro. Tentando desesperadamente livrar-me dele, realizei todas as suas vontades, mas apesar de tudo isto meu inimigo não foi embora, nossos desentendimentos eram constantes  e desejava que ele fosse para os quintos dos infernos, e ele de fato foi. No tercei...

O Estranho Cinema Mental

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ah... Lá vai o meu velho ego, todo os dias e a cada instante, para dentro do seu estranho cinema projetar e assistir seus velhos filmes já vividos e criando, ainda, as novas projeções que virão. Meu ego é o senhor e ao mesmo tempo o escravo deste estranho cinema de velhas, mal resolvidas, futuras e imaginárias emoções. Meu velho ego somente consegue viver no passado e no futuro, ele nunca está no aqui e no agora, nunca está no momento presente, consequentemente ele é uma grande ilusão. Vivo me queixando do meu sentimento de ausência da realidade, como se estivesse vivendo em Marte, ou numa estrela distante, ou ainda dentro de uma bolha de sabão, mas isto agora é tão claro quanto a luz do sol, vivo mesmo é dentro deste estranho cinema do meu velho ego. Mas se meu ego vive num passado que não m...

Meus Botequins, Meu Ego, o Dilúvio e a Arca de Noé

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Chovia uma barbaridade, chovia a cântaros naquela tarde de fevereiro do ano da graça de 2023; chovia tanto que parecia até a chuva do dilúvio do fim do mundo, mas como não vi a barca de Noé não me preocupei muito. — Preciso beber, preciso fugir, fugir de mim e esquecer meu passado, fugir de mim e projetar um futuro grandioso, preciso beber, mas mesmo não bebendo preciso ir agora mesmo para um dos meus inúmeros e internos botequins mentais e emocionais — são muitos —, ou mesmo um botequim do mundo real, para então fugir numa conversa fiada; fugir num carteado; fugir num jogo de dominós; fugir assistindo a um jogo de futebol; fugir acompanhando uma série na televisão; fugir assistindo a uma infinidade de filmes; fugir falando dos outros; fugir para esquecer de mim; fugir para o mundo da fantas...

O Trezoitão Emocional

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Quem foi sistematicamente ferido pelo trezoitão emocional tem o estranho e inconsciente hábito de ferir também, mesmo tendo jurado de pés juntos que jamais dispararia um trezoitão emocional em direção aos seus semelhantes. O trezoitão emocional fere tanto quanto o revólver calibre 38 convencional; quando caminho pela corda bamba de meus desequilíbrios emocionais — faço isto de forma inconsciente —, nada mais razoável do que colocar o meu trezoitão emocional no coldre e sair por aí mentalmente alerta para quaisquer situações que exijam de mim uma ação rápida e eficaz contra os inimigos de minha paz, ou melhor, contra os supostos e imaginários inimigos do meu belicoso ego — meu ego adora andar armado com o seu trezoitão emocional na cintura. O estranho de tudo isto é que todas as vezes que eu d...

O Décimo Segundo Passo e as Três Mensagens de Alegria

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" A primeira mensagem de alegria eu recebi alguns dias antes do Natal; estava solitariamente no alto de um morro plantando árvores, quando em minhas dependências emocionais fui visitado por um amado mecânico da Rua 7 de Setembro da cidade de Alegre, meu amado e inesquecível tio e padrinho, com um bombom em suas mãos, um daqueles deliciosos bombons da Garoto embalado em um lindo papel amarelo — eu conhecia muito bem aqueles bombons. O mecânico estava feliz e sorria abertamente, e ao afastar-se e sem uma única palavra sequer, deixou em mim um pouco de sua alegria interna. Fiquei muito feliz com aquele incidente e pensei lá com os meus botões: "Preciso de alguma forma retribuir esta presença e este antecipado presente de Natal". Passou o Natal e o ano novo começou a avançar, e eu simples...