Meu Ego: Um Lobo em Pele de Cordeiro

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



Vi impresso nos tijolos do muro do meu isolamento o doloroso silêncio de minhas emoções não expressas. Na depressão, meu ego é calado; na euforia, um grande tagarela.

Todas as vezes que me envolvo com o meu ego saio perdendo, isto é uma lei. Meu ego possui milhões de máscaras e está tão unido comigo que nem eu mesmo sei onde começo e onde ele termina, como se fossemos farinha do mesmo saco.

Todas as vezes que sofro, que fujo para o passado, ou idealizo um futuro maravilhoso para ser feliz, isto é obra dele, mais um embuste para iludir-me, e eu caio como um pato;

quando me irrito com ele e o mando para os quintos dos infernos, vou juntamente com ele e sofro;

quando fico jururu pelos cantos sonhando com todas aquelas moças bonitas que não namorei, eis que é ele novamente, rindo de minha fossa pelas minhas amadas mulheres imaginárias;

quando ando pelas ruas feito um zumbi, com o pensamento no ontem brigando mentalmente com os meus inimigos mentais, é sem dúvida nenhuma ação dele, e mais uma vez eu fico sentindo-me muito mal.

Mas se é sempre assim, e se minha relação com ele é sempre tóxica, por que então eu não deixo que ele vá simplesmente embora cuidar da vida dele, por que?

Meu ego é maroto e cheio de truques; quando eu vou em direção a ele dizendo para partir para sempre, que nunca mais vou olhar na cara dele, que não suporto mais sua presença em minha vida e que a porta da rua é serventia da casa, então ele usa um dos seus golpes de mestre que me deixa completamente sem ação: Transforma-se numa criança carente, sofrida, solitária e cheia de autopiedade, uma criança abandonada e infeliz dentro de mim. A criança então olha para mim com os olhos cheios de lágrimas reclamando por amor, carinho e atenção...

Desta maneira acolho esta criança tão infeliz, sofrendo com ela, já como adulto, todas as suas dores infantis, coitadinha da minha criança, coitadinha, vou protegê-la e salvá-la de todas as amarguras do mundo, vou cuidar dela para todo o sempre com todo o amor do meu coração, vou... Isto é um estranho apego às minhas dificuldades emocionais do passado, uma profunda identificação com memórias mortas e insepultas, isto é mais um embuste do meu ego que jamais consegue viver no momento presente.

Lá vai eu vida afora com a criança sofrida no colo; quem passa pela rua e observa comenta: "Que homem carinhoso, como ele trata bem aquela criança tão linda". Ledo engano; não carrego criança alguma no meu colo, mas tão somente o meu astuto ego, um lobo em pele de cordeiro.

Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

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