A inutilidade das coisas para preencher o meu vazio
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Passei anos tentando preencher meu vazio interno com distrações mentais e bens materiais. O grande dilema é que nada neste mundo tem esse poder. Se existisse algo capaz de suprir essa falta, eu já teria encontrado, pois procurei e acumulei sem parar. No entanto, quanto mais juntava, mais profundo e doloroso o vazio se tornava.
Minha mente, embora fisicamente limitada, carrega um universo infinito de entulhos acumulados ao longo do tempo: ressentimentos, raiva, fantasias românticas, pensamentos mágicos, nostalgias envelhecidas, planos futuros, vergonhas e amarguras. Tantas camadas, tanto ruído...
Fora do campo mental, o impulso é o mesmo. Preciso me vigiar constantemente para não acumular o mundo físico: potes, garrafas, bilhetes antigos, pedras, embalagens, conchas, livros...
É a compulsão em sua forma mais pura, movida pela ilusão de que a matéria pode ocupar um lugar que não lhe pertence. Hoje, em processo de recuperação pelos 12 Passos, compreendo que esse espaço sagrado e sutil jamais será preenchido por coisas.
Só por hoje, farei um esforço sincero para substituir as inutilidades do meu mundo egocêntrico pela presença do sagrado — um Poder Superior, conforme eu O concebo —, pois só a Sua manifestação em mim é capaz de preencher todos os meus vazios.
Clique em Dá Escuridão à Luz dos Passos para ler a crônica anterior, ou em A insônia e o cavalo mental para ler a seguinte.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.
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