A Criança Ferida Em Cima do Muro
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
A criança ferida equilibra-se com dificuldade sobre o Muro de Berlim. À sua frente, o sonho: a realidade pulsante do Ocidente. Às suas costas, o Oriente cinzento, espectro de todos os seus dramas passados. No horizonte ocidental, ela vislumbra a promessa de felicidade e a liberdade plena; no Oriente, porém, restam a depressão e as amarguras de um mundo sob censura — um lugar onde a voz era silenciada e a vida ditada por figuras autoritárias que a fizeram sentir-se insegura, rejeitada e profundamente envergonhada.
Do lado de lá, o convite ecoa, sedutor e constante: "Desça, criança. Venha viver conosco, experimentar a liberdade de ir e vir, conviver sem amarras, desbravar o mundo, cantar, bailar, rir... Venha, simplesmente, ser".
Contudo, a criança permanece cativa no cume da barreira. A cada entardecer, ela desiste do salto para a liberdade e retorna ao Oriente. Volta para a depressão, para o medo e para a vergonha tóxica; volta para a anorexia amorosa e para os castelos de areia de suas fantasias, onde tudo é encantado e feliz. Ela retorna à rotina que a consome por dentro, mas que, ironicamente, tornou-se sua única definição. Ali, ela se retira para o seu interior, alimentando a ilusão de um dia em que a coragem bastará. Mas, no Oriente, a criança ferida mais se assemelha a uma biruta instável em dias de vento: sonhadora e desorientada, prisioneira de sua própria estagnação.
O Muro de Berlim, para ela, deixou de ser pedra e concreto; tornou-se a fronteira de uma divisão interna, o limite tênue entre a sua escravidão mental e a vida plena. É, acima de tudo, a muralha silenciosa de sua codependência.
Diante desse impasse, minha oração ao Poder Superior, conforme o concebo, tornou-se um clamor diário:
"Meu Senhor e meu Deus, ajuda-me a abandonar o passado, a derrubar este muro mental — tão resistente e codependente — e a caminhar, enfim, em direção à realidade. Concede-me a graça de acolher a criança que sou, liberta dos traumas e, finalmente, feliz."
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.
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