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O Décimo Primeiro Passo e as Vacas Mentais

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Faz muitas 24 horas que venho adiando o Décimo Primeiro Passo — Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade —, amanhã eu faço, depois de amanhã eu faço, um dia ainda faço... Minhas orações são muitas vezes mentais e mecânicas, não consigo estabelecer através delas um contato profundo com o Poder Superior, conforme O concebo, e meditar, ah, meditar para mim é quase impossível, minha mente está sempre povoada por uma infinidade de contínuos e ininterruptos pensamentos. Venho meditando todos os dias e os pensamentos — o porta voz do meu ego  —  sempre lá. Preciso apenas observar os pensamentos sem entrar em contato, s...

Frank Buchman e os Seis Homens Errados

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Em 1908 — vinte e sete anos antes da fundação de Alcoólicos Anônimos —, o jovem pastor protestante Frank Buchman foi enviado para coordenar um educandário para órfãos no interior da Inglaterra. Tudo corria bem até que a instituição enfrentou uma grave crise financeira. Diante da escassez de recursos para alimentar as crianças, reuniões de serviço diárias tornaram-se o cenário de intensos debates. Após acaloradas discussões — algo que soa familiar a quem frequenta reuniões de serviço —, a maioria deliberou que a solução seria reduzir a ração alimentar dos órfãos. Buchman protestou veementemente, mas foi vencido. Sentindo-se profundamente ferido, magoado e tomado por um rancor incontido contra aqueles seis homens, acabou adoecendo e afastando-se para cuidar da saúde. Enquanto as crianças sofria...

O Peixe, o Mar e o Pescador

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Sou um peixe no grande oceano de minhas emoções; o pescador é  o meu velho ego e suas iscas são turbilhões de pensamentos que passam constantemente pela minha mente, como ondas  —  meu canal de comunicação com o meu ego é realizado via pensamentos. Estou constantemente nadando em busca de paz; não demora muito e o pescador joga uma isca e sou mais uma vez fisgado pelo senhor dos milhões de pensamentos. Mas por que mordo a isca? Mordo por achar que encontrarei a paz tão almejada através de constantes e insanas iscas mentais. Após constatar que fui fisgado, já tendo agora um pouco de consciência, largo a isca e volto para o mar em busca da minha paz, e não demora muito, não demora nada e o pescador joga a isca e sou novamente fisgado pelos contínuos pensamentos que prometem para mim uma paz...

A Casa Presente, a Casa Passada e a Casa Futura

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Possuía minha própria casa no presente, onde deveria morar; mas um dia surgiu um tal de Ego, o senhor de muitas posses, me contou lindas histórias, dizendo-me que seria mais conveniente que eu morasse numa casa no passado, uma magnífica casa que ele havia construído sob medida para a minha mais plena felicidade. Gostei da ideia, teria que pagar para ele um pequeno valor de aluguel, nada muito significante, então fechei as portas de minha casa própria no presente e fui viver de inquilino em casa de terceiros no passado. Todo final de mês meu senhorio, o Ego, passava para receber o valor do aluguel, que sempre pagava em dia: Nostalgia, lembranças tristes, ressentimentos, mágoas, raiva congelada, culpa, vergonha, rejeição... — eram estas as moedas que agradavam ao dono daquela casa do eterno ont...

Calmo, Serenidade e o Ego

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Havia um homem chamado Serenidade que vivia em paz, tocando sua vida com relativa tranquilidade e sem grandes atribulações. Serenidade tinha um grande amigo de infância, o seu melhor amigo, chamado Calmo; Calmo e Serenidade sempre tiveram uma convivência extremamente pacífica, Calmo era cheio de serenidade e Serenidade era muito calmo, de forma que entre eles imperava sempre a mais completa harmonia. Ah... havia também um amigo comum entre os dois, o nome dele: Ego. Houve um dia em que o Ego acompanhava seus amigos, então Serenidade perdeu num lampejo de segundo o seu jeito calmo de ser, dizem que foi por uma questão mundana qualquer, e neste fatídico dia, num lampejo de descontrole emocional, Serenidade acabou proferindo em alto e bom tom alguns impropérios contra seu Calmo amigo. No fervor ...

O Polvo de Minha Própria Escravidão

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Meu céu mental escurece, pensamentos negativos  —  como nuvens carregadas  —  surgem no horizonte, e então das minhas profundezas surge o polvo do meu ego com seus infinitos tentáculos, envolvendo-me num nefasto e doloroso abraço. Estou agora aprisionado pelo polvo, e da tensão dos seus tentáculos brotam angústia, sofrimento, medo, solidão, insegurança, ansiedade, desejo de poder e controle...  —  um abraço de escravidão e morte. Estou cansado, minha mente está completamente exaurida de tanto tentar vencer, numa luta inútil, o polvo — meu velho ego —, caminho por um longo e indefinido tempo por um enorme deserto — o deserto das minhas dúvidas — em busca de paz e à procura de Deus, meus pés sangram, sinto-me derrotado, fui vencido, não posso mais prosseguir, é...

Meu Ego e o Fio da Navalha

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Meu caminho — o momento presente — é tão estreito quanto o fio de uma navalha; caminho por ele segurando uma vara — meu Poder Superior — tentando manter o equilíbrio entre os dois abismos que me cercam: Do meu lado esquerdo o abismo do meu passado e do direito o abismo do meu futuro. Enquanto vou tentando manter o equilíbrio sustentando a vara, sou a todo instante tentado pelo meu ego — o senhor dos abismos —, que rouba a minha atenção do estreito caminho — o aqui e o agora —, levando-me invariavelmente a largar a vara e a rolar feito uma bola abismo abaixo, ora no passado, ora futuro  — consegue visualizar a cena? Todas as vezes que tropeço, indo para o fundo de um destes abismos, tenho a consciência  —  antes não era assim  —,   que deixei o caminho estreito, e que a minha per...