O Décimo Primeiro Passo e as Vacas Mentais

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



Faz muitas 24 horas que venho adiando o Décimo Primeiro Passo — Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade —, amanhã eu faço, depois de amanhã eu faço, um dia ainda faço... Minhas orações são muitas vezes mentais e mecânicas, não consigo estabelecer através delas um contato profundo com o Poder Superior, conforme O concebo, e meditar, ah, meditar para mim é quase impossível, minha mente está sempre povoada por uma infinidade de contínuos e ininterruptos pensamentos.

Venho meditando todos os dias e os pensamentos — o porta voz do meu ego  sempre lá. Preciso apenas observar os pensamentos sem entrar em contato, sem julgar, sem brigar, sem analisar, sem reprimir, apenas observar e nada mais, mas até o presente momento percebo que não possuo pensamentos, eu sou na verdade possuído por eles.

No dia de ontem achei haver descoberto uma tática para resolver o problema: Quando comecei a meditar e os pensamentos chegaram  na verdade eles já estavam lá o tempo todo , imaginei que cada um daqueles pensamentos era uma vaca, isto mesmo, uma vaca. Então visualizei um imenso pasto para onde direcionei todas aquelas vacas mentais para pastarem em paz, fechei em seguida a porteira e me vi tranquilamente sob a sombra de uma árvore livre do rebanho além da cerca, simplesmente prestando atenção a minha respiração e nada mais — que ideia maravilhosa a minha.

Achei que desta forma naquele momento finalmente estaria livre das vacas mentais, mas alguns segundos depois elas arrebentaram a cerca e começaram novamente a fazer de minha mente um verdadeiro pasto, e neste processo todo vi, não as vacas, mas toda a minha tentativa de meditação indo mais uma vez para o brejo.

Continuarei tentando, não existe outra saída para mim, e quando conseguir simplesmente prestar a mais absoluta atenção a minha respiração, estando plenamente no momento presente, neste auspicioso dia nenhum de minhas inúmeras vacas mentais terão a capacidade de roubarem a paz interior que habita dentro de mim.

Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Comentários

  1. Grande reflexão mano! Parábola que cabe a todo ser humano. Ninguem está livre de alguma neurose...só os loucos, rs rs. Muito grato pelo compartilhamento! Abração

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