Um Encontro com a Alegria
Na época em que a depressão me dominava, eu imaginava o despertar espiritual como um raio de luz cortando as nuvens, por onde chegariam seres celestiais para carregar minhas dores para sempre, fazendo de mim um santo feliz no mesmo instante. Que nada!
Era o segundo dia do encontro nacional da irmandade de 12 Passos, em um sábado de setembro em Guarapari. Levantei cedo e fui caminhar antes do café da manhã. No caminho, fui atravessado por uma alegria avassaladora. Era a alegria do meu pai, o Sebastião — uma força tão viva que transbordava para todos ao redor. Não cabia dentro de mim, do mesmo jeito que não cabia nele. Foi um sentimento que jorrou do meu peito aos borbotões ao longo de todo aquele dia.
"Senhor da Vida, conforme eu O concebo, desejo que todas as pessoas encontrem essa mesma alegria. Essa graça que chega sem pedir licença, sem motivo algum — simplesmente chega. É a alegria do meu velho pai, o meu antigo inimigo; a alegria pura do ser, do existir, do instante presente e da vida celebrada. Desejo do fundo do coração que todo ser humano a vivencie como eu a vivo hoje e como meu pai a viveu um dia, independentemente das circunstâncias que vierem."
Hoje, essa alegria me visita com frequência. E, quanto mais ela chega, mais me reaproximo do meu pai — tantos anos depois da sua partida para o segundo andar da vida.

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