O orgulhoso Boneco de Cera
Era uma vez um boneco de cera que vivia isolado em seu grandioso e sombrio castelo — uma fortaleza erguida, tijolo por tijolo, sobre o alicerce do puro orgulho.
Todas as manhãs, ele se corroía por dentro. Para além de suas muralhas, o mundo despertava banhado por uma luz exuberante. E o boneco de cera detestava a luz.
Incapaz de tolerar aquilo, decidiu abandonar a escuridão para enfrentar aquele que, sem sua permissão, ousava iluminar seus domínios. Antes do alvorecer, empunhou sua espada e vestiu sua rígida armadura — feita de ferro e amargura. Marchou até o pátio, disposto a acertar as contas com o sol, cujo clarão sentia como um insulto diário. Permaneceu ali, imóvel, espada em punho, olhar fixo no horizonte.
O tempo passou. A claridade foi surgindo, lenta e inexorável. Enraivecido, ele aguardava o confronto. Contudo, quanto mais o tempo avançava, mais o ar se aquecia; e quanto mais a temperatura subia, mais sua raiva alimentava o fogo interior.
Então, ele começou a derreter. Não apenas pelo calor de fora, mas pelo peso do controle, da mágoa, da angústia e do ressentimento que acumulava no peito.
Ao meio-dia, no ápice do sol, não restava mais guerreiro, armadura ou espada. Havia apenas uma poça informe de cera sobre o pátio de um castelo fundado no orgulho — agora, completamente em ruínas.

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