O Império do Pensamento Compulsivo

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



Ah... o meu cansaço mental! Aquele que faz de mim não um ser humano, mas uma máquina de pensar. Penso, penso, penso tanto que chego à exaustão. E agora, 24 horas após o meu ingresso no programa, finalmente descobri a razão desse meu pensar descontrolado...

Eu cismo que, através do pensamento, posso controlar tudo. E controlar tudo, para mim, significa criar um mundo perfeito, maravilhoso e funcional: um mundo sem repressão, sem cobranças, sem olhares duros, sem hipocrisia, sem autoritarismo, sem choros contidos e lágrimas represadas; um mundo sem aquele nó na garganta, um paraíso na Terra onde absolutamente todos possam desfrutar da vida em paz.

De tanto pensar nisso, acabei viciado no controle, tornando-me inconscientemente um controlador compulsivo. Sinto que jamais posso deixar de controlar o que quer que seja, pois é o controle que mantém vivo o meu mundo de faz de conta e de felicidade sem fim. Fico ali, controlando mentalmente, sem parar. Mas o reverso da medalha é cruel: o controle consome mais de 90% da minha energia mental.

E o que acontece no final do dia, do mês, do ano? Acabo sempre no vermelho! Haja fósforo, cálcio, ferro, proteínas, vitaminas, sais minerais, suplementos e o escambau para manter essa mente num giro tão alto — tendo a pobre coitada ainda que dar conta da vida real e, sobretudo, do meu vasto e inflacionado mundo de ilusões, gerado a cada instante.

Oh, céus... Quanto mais tento controlar tudo, mais descontrolado fico. Afinal, o controle é apenas um truque do meu velho ego para me manter afastado da minha verdadeira natureza interior. E quanto mais me afasto de mim, mais descontrolado fico; e quanto mais descontrolado fico, de mais controle preciso para não perder o fio da meada da minha própria insanidade.

A única forma que encontro para sair dessa roda-viva é a entrega do Terceiro Passo a um Poder Superior, conforme eu O concebo. Porque, sem Ele na minha vida, continuarei dominado pelo "cabeção pensante", tentando controlar o meu pai, a minha mãe, irmãos, tios, primos, avós, coleguinhas de escola, professores, diretores, autoridades, os pássaros que voam, os peixes que nadam e até as estrelas no firmamento!

"Viva e deixe viver", Viajante Emocional do cabeção pensante. É um dia de cada vez. Ah... Viajante Emocional, por favor, nem que seja por um instante, nem que seja por um milionésimo de segundo: pare de tentar controlar tudo, solte-se e entregue-se a Deus.

Clique em A Luz da Lâmpada e a Escuridão da Rejeição para ler a crônica anterior, ou em À Caça de Mim Mesmo para ler a seguinte.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

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