Lugar de Bodes é no Pasto
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
O problema não está naquilo que compartilho nas Salas de 12 Passos. O que verbalizo é solução: é luz, recuperação e libertação.
O verdadeiro problema — e que problema! — está naquilo sobre o que me calo. Está no que ainda escondo e que me prende a velhos julgamentos e a padrões de comportamento já arruinados: os meus velhos bodes.
Aquilo que compartilho me liberta; aquilo que oculto me aprisiona. Guardado por tanto tempo, apodreceu dentro de mim, fazendo-me um mal imenso. Uma Sala de 12 Passos é o único lugar no universo onde posso ser verdadeiramente eu mesmo, sem julgamentos, expressando-me com a mais profunda liberdade. Nem mesmo numa fuga para Marte eu encontraria tamanha acolhida e confiança.
Quando falo com o coração, muitos me ouvem e — que maravilha — ninguém me critica. Pelo contrário, acolhem-me com abraços afetuosos ao final de cada reunião. Por isso, procuro colocar para fora todos os meus bodes: a rejeição, a negação, o medo, o orgulho, a indiferença, a vergonha tóxica e a angústia. Tudo para fora. Afinal, companheiro, lugar de bode é no pasto com as cabras!
No meu coração, quero passarinho voando, amor, sonhos e uma criança brincando livre no quintal. Quero vida em abundância.
Fora, bodes meus! Bodes adormecidos, entorpecidos, apodrecidos, revoltados, melancólicos e aprisionados. Vão já pastar; vão encontrar suas queridas e merecidas cabras! Que permaneça em mim apenas a criança sorridente correndo pelos campos e os passarinhos voando sob o céu do meu Poder Superior.
Clique em À Caça de Mim Mesmo para ler a crônica anterior, ou em A Doença do Eu Sozinho para ler a seguinte.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

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