As Dezesseis Cadeiras Vazias

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



19:00 horas. Estou na sala presencial. Chove lá fora. Aqui dentro, dezesseis cadeiras vazias. Amo a sala de 12 Passos viva, acolhedora. Sem as pessoas, é só mais um cômodo qualquer.

Aguardo mais um pouco. Quem sabe alguém chega? Não posso reclamar. Aceito que a chuva atrapalhe os caminhos. Não controlo o tempo, não controlo os companheiros, não controlo nem minhas próprias emoções. Não controlo nada.

Na sala ao lado, em vinte minutos, começa a reunião de AA, a irmandade mãe. Se ninguém vier, me junto a eles. Posso me identificar como alcoólico seco — afinal, o programa de 12 Passos também tem a sua dose de “secos e molhados”.

A chuva cai, as cadeiras esperam. No ruído dos carros sobre o asfalto molhado e no silêncio que se faz, sinto a presença de um Poder Superior, conforme eu O concebo. Na sala e em mim. Três companheiros acabam de chegar. Pela Dele teremos reunião.

Clique em O Orgulhoso Boneco de Cera para ler a crônica anterior, ou em A Ilusão do Bom Sujeito para ler a seguinte.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior do que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

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