O Brinquedo do Ego

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



Desde a infância, eu sempre acreditei que realizar coisas me faria feliz. Hoje, olhando para trás, vejo que a maioria desses sonhos se concretizou. Então eu deveria ter tido uma vida muito feliz, certo? Mas não foi bem assim. Agora, no outono da minha vida, eu entendo: essa lista infinita de desejos era só um artifício. Uma fuga do instante presente. Eu buscava felicidade em um tempo e lugar distantes, nunca no aqui e agora.

Foi a estratégia que meu velho ego encontrou para esconder uma dor sutil e perversa. Uma dor que ficou nítida para mim durante a pandemia: a rejeição. Meu ego tinha — e ainda tem — enormes dificuldades em lidar com a verdade e com a realidade.

Preciso aprender a viver minha vida e encontrar alegria nela, mesmo que meus desejos não se realizem. Porque, no fundo, eles não passam de brinquedos. Brinquedos de uma criança imatura, insegura, carente e amedrontada. Uma criança que, com medo da realidade como ela é, criou uma versão inatingível e idealizada só para não sentir sua dor mais profunda: a dor da própria rejeição.

Em recuperação em 12 Passos, estou aprendendo a amar essa criança que habita em mim. Assim como ela precisa do meu amor, eu também preciso muito do amor dela. No final, tudo está dentro de mim. Eu e essa criança somos uma coisa só.

Clique em A Escravidão do Olhar Alheio para ler a crônica anterior, ou Entre o Adulto Neurótico e a Criança Ferida para ler a seguinte.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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