Entre o Adulto Neurótico e a Criança Ferida

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
 


Viajante emocional, neurótico em recuperação; ou talvez, viajante emocional, codependente em recuperação. Se sou neurótico ou codependente, pouco importa — pelo menos por hoje. O que verdadeiramente ressoa é o que sinto: dores que vêm de longe, de tempos distantes que ainda insistem em habitar meu presente.

O medo está aqui. A insegurança também. O impulso de silenciar, de varrer para debaixo do tapete tudo o que me atravessa, está aqui. As máscaras que visto nos palcos do mundo — disfarces calculados para ocultar neuroses e proteger cicatrizes — estão presentes. Os traumas da infância, o peso dos olhares inquisidores e o eco de gritos antigos, tudo isso permanece. A rejeição, por tão íntima, nunca deixou de estar aqui; ela simplesmente mora dentro de mim. Adulto neurótico ou codependência infantil, que diferença faz?

Meus inimigos de ontem permanecem os de hoje. Ontem mesmo, senti-me agredido por gritos, por palavras cortantes, pelas "sugestões de salvação" para a minha suposta insanidade. Conselhos sobre como me adequar à realidade, encaminhamentos para psicólogos... tudo disparado apenas porque resolvi ser eu mesmo e falar com profundidade em público. Agora, desejo que esses "juízes" desapareçam do mapa, mas, contraditoriamente, continuo sentindo a necessidade de agradá-los, de buscá-los para garantir que gostem de mim e não voltem a me ferir. Adulto neurótico ou codependência infantil, que diferença faz?

Seria eu o adulto neurótico, aquele que camufla a criança ferida? Ou seria eu a criança ferida, que se esconde atrás de uma fachada adulta para não sofrer, não perecer e finalmente encontrar o aconchego que lhe foi negado? Adulto neurótico ou codependência infantil, que diferença faz?

Dentro de mim, há um duelo constante:

O neurótico quer gritar; a criança codependente não suporta o som dos gritos.

O neurótico deseja ser forte para enfrentar o mundo; a criança deseja apenas contemplá-lo em paz.

O neurótico busca poder, fama e prestígio para preencher um vazio infinito; a criança deseja apenas desfrutar da própria tranquilidade.

O neurótico usa a mente para edificar o concreto; a criança a usa para tecer o pão doce de mundos abstratos, de contos e noites de alegrias sem fim.

O neurótico sente culpa; a criança sente vergonha.

O neurótico cultiva a raiva; a criança carrega a carência.

O neurótico inclina-se à depressão; a criança é aprisionada pela rejeição.

Adulto neurótico ou codependência infantil: que diferença faz?

Talvez nenhuma. Talvez seja, finalmente, a hora de parar de lutar. Soltar as amarras, entregar-me incondicionalmente a Deus — conforme eu O concebo —  e, simplesmente, ser eu — em plena unidade comigo mesmo.

Clique em O Brinquedo do Ego para ler a crônica anterior.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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