A Escravidão do Olhar Alheio
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
A neurose é uma condição perversa. Em vez de vivermos de forma autêntica, passamos a existir em função do olhar alheio — uma verdadeira escravidão.
Hoje, um colega profundamente tóxico lançou uma "isca" no nosso grupo de trabalho. Ele estava completamente equivocado, mas tentou me responsabilizar por um erro que não existiu. E eu, infelizmente, mordi a isca. Meu sangue ferveu, meu coração disparou; ali estava ela: minha codependência reagindo à toxicidade dele. Por que me afetar tanto por algo que diz respeito apenas à mediocridade do outro? Em teoria, bastaria ignorar, mas a neurose insiste em ditar o ritmo.
Nessas horas, a criança ferida e indefesa emerge. Sinto-me transportado para a infância, forçado a engolir sapos, sem saber como me defender, perdido em um emaranhado que não compreendo. O colega de hoje se transmuta, na minha visão, na figura tóxica que marcou meu passado, deixando-me acuado, raivoso e magoado num canto.
Eu quis ligar para ele e mandá-lo para os quintos dos infernos. Não o fiz, mas travei uma guerra mental exaustiva. Quando finalmente constatei que eu não havia cometido erro algum, a calma retornou, mas meu orgulho exigia uma resposta no grupo. O cidadão escreveu: "Você não sente vergonha de deixar um erro técnico ser exposto na frente de um cliente?".
Já mais sereno, respondi com um toque de humor e ironia: expliquei que não havia erro, esclareci os fatos e finalizei comentando que envergonhado ele ficaria na segunda-feira, caso o Vasco — seu time do coração — fosse rebaixado para a segunda divisão.
Se eu estivesse em um estado de humildade mais elevado, talvez não tivesse respondido nada, nem me deixado afetar tanto pela provocação. Mas, por hoje, é o que consigo. Sei que é um dia de cada vez. Sinto que estou melhorando, ainda que, na minha condição humana, eu saiba que a perfeição e o desapego total talvez sejam inalcançáveis.
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Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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