O Trem Errado

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Por equívoco, três homens embarcaram no trem errado. Quando descobriram o engano, cada um deles reagiu à situação de uma forma completamente diferente.

O primeiro ficou indignado. Bem cedo, ele tivera uma discussão feia com a esposa e saíra de casa de cabeça quente — tão quente a ponto de não prestar atenção e entrar no vagão errado. Ficou ali dentro, até a última estação, ruminando seus pensamentos: — Ela me paga! Quando eu voltar para casa, vai ouvir poucas e boas. Eu peguei o trem errado por culpa dela!

Desembarcou na estação final pisando duro e com a cara amarrada. Além do forte ressentimento contra a mulher, foi tomado por uma ansiedade profunda e apreensão, pois chegaria muito atrasado ao trabalho. Sua raiva congelada era tanta que, tomado pela fúria, chutou a primeira lixeira que encontrou pela frente.

O segundo sentiu-se completamente inseguro e perturbado. O pânico tomou conta dele: — Ah, meu Deus... Entrei no trem errado! E agora? O que eu faço? Mas não posso sair assim, sem mais nem menos... Se eu descer na próxima estação, o que os outros passageiros vão pensar de mim? Vão achar que fiz algo de errado e que estou fugindo de fininho. Oh dia, oh azar... E se meus pais ou amigos descobrirem que cometi esse erro? Que vergonha, que horror... Vou ficar aqui quietinho no meu canto. Quando chegar na estação terminal, desço normalmente e pego o trem de volta. Vou chegar atrasado ao trabalho, mas dou uma desculpa qualquer; meus colegas jamais saberão do meu erro... Que desamparo!

Desembarcou do trem de cabeça baixa, trêmulo, inseguro e com o olhar perdido. Não tinha coragem de olhar para ninguém, tamanho era o seu constrangimento. Estava exausto, carregando a nítida impressão de que levava a culpa de toda a humanidade nas próprias costas.

O terceiro, ao constatar o engano no embarque, agiu de forma diferente. Ele simplesmente desembarcou de maneira tranquila na estação seguinte e pegou o trem certo.

O primeiro homem agiu como um neurótico, projetando sua raiva no outro e no mundo. O segundo agiu como um codependente, paralisado pelo medo do julgamento alheio, pela vergonha tóxica e pela necessidade extrema de agradar. O terceiro agiu como um ser humano emocionalmente equilibrado, que aceita o erro, não busca culpados e foca na solução.

Clique em O Barco que não conheceu o mar, ou em Meus espelhos, meus iguais para ler a crônica anterior.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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