Meus espelhos, meus iguais
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
O velho ego — o grande patriarca ou matriarca da doença mental e emocional — é tão engenhoso que consegue se ocultar de forma magistral por trás de suas próprias ações e comportamentos distorcidos.
Quando eu era menino, mesmo sem entender absolutamente nada, já conseguia perceber a doença das emoções nos outros. Essa percepção não vinha através de nomes como raiva, ressentimento, autoritarismo ou orgulho; eu ainda não conhecia essas palavras. Ela vinha através das feridas que os transtornos emocionais deles causavam em mim — como flechas certeiras e dolorosas que acertam o alvo com precisão.
Com o tempo e com a dor, comecei a prometer a mim mesmo, lá no meu cabeção pensante: "Quando eu crescer, não serei como eles e jamais agirei como eles agem." Belas e bem-intencionadas palavras. Mas apenas palavras.
Eram as palavras do meu velho ego, o grande embusteiro. Afinal, tudo o que eu sentia em relação a eles nada mais era do que o reflexo da minha própria personalidade. Com o passar dos anos, repeti, sem perceber, muitas das reações doentias deles — a negação é um dos sintomas mais perversos da doença mental e emocional.
Ao longo de suas vidas, muitos deles não tiveram a oportunidade de conhecer uma sala de 12 Passos. Eu tive. E, a partir desse ponto, ganhei todas as ferramentas necessárias para escrever as páginas da minha história de uma maneira mais humilde, reconhecendo simplesmente a minha própria condição humana — afinal, a dor ensina tanto quanto um mestre.
E quanto ao meu ego? Bem, o meu ego é um problema meu. Precisarei, a cada instante, cuidar dele amorosamente, sem permitir que ele me envolva em suas falácias sem fim. Não é fácil. Não está escrito em lugar nenhum que seria. Mas é sempre um dia de cada vez.
Clique em O Trem Errado para ler a crônica anterior, ou em O Herói, a Vítima e o Vingador para ler a seguinte.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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