A Invisível Prisão da Codependência
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
— Moço, moço... Aqui, aqui... Estou preso aqui. Consegue observar a prisão?
— Prisão? Que prisão? Vejo você, mas não consigo ver prisão alguma.
— Estou preso aqui faz muitos anos. Não consegue enxergar as poderosas grades da rejeição e do medo?
— Não vejo grade nenhuma!
— Olhe bem. Não consegue notar as pesadas correntes, forjadas na culpa e na vergonha tóxica, que me envolvem dos pés à cabeça?
— Também não estou vendo correntes. Você não estaria enganado?
— Não, não estou enganado... Consegue perceber o severo carcereiro que limita a minha liberdade e jamais permite que eu diga um simples "não"?
— Não vejo carcereiro, não vejo correntes, não vejo grades. Vejo somente você.
— Vamos lá... Consegue notar os cadeados da fobia social que me impedem de sair daqui e simplesmente ir ao encontro dos outros?
— Cadeados? Não vejo cadeado nenhum! Volto a afirmar: vejo somente você e nada mais. Você, por acaso, tem algum problema psiquiátrico?
— Como assim? Como se eu fosse um doido?
— É... como se você fosse um doido!
— Não sou doido, moço. Ou seria doidice enxergar coisas que ninguém percebe? Olhe atentamente... Consegue visualizar a solitária cela da depressão? Consegue notar os labirintos escuros onde me perco tentando encontrar uma saída? Consegue notar a arquitetura decadente da prisão, com suas estruturas em ruínas?
Consegue perceber minhas ilhas mentais e ilusórias, para onde supostamente vou na vã tentativa de escapar deste cárcere? Consegue sentir a dor da minha felicidade ilusória, forjada mentalmente em um futuro que virá em um lugar inatingível, muito longe daqui? Consegue observar o nó na minha garganta que impede o trânsito livre das minhas próprias palavras?
Consegue notar em mim o terrível controlador, o diretor-geral da prisão, que faz de mim um ser superficial e "bonzinho", com o doentio intuito de agradar aos outros e jamais ser rejeitado por eles?
— Mil perdões, moço. Não consigo observar nada disso. Deve estar havendo algum equívoco.
— Olhe bem para mim, moço... mas não com o olhar da sua mente, e sim com o do seu coração. Consegue observar agora?
— Ah... agora vejo... Vejo você, o cárcere, o carcereiro e o diretor da prisão, o controlador. Mas falta algo.
— Como assim?
— Vejo em você o carcereiro, o cárcere e o diretor da prisão. Tudo em você. Mas não consigo enxergar o prisioneiro.
— Moço, feche os olhos por uns instantes e, em seguida, olhe novamente com todas as forças do seu coração.
— Meu Deus... que quadro mais triste. Agora eu vejo o prisioneiro e consigo sentir toda a sua imensa dor.
— Quem é o prisioneiro, moço?
— O prisioneiro é uma criança ferida, presa dentro de você em uma humana prisão chamada codependência.
— Moço, moço, não se desespere... As chaves da minha prisão estão nas mãos da própria criança ferida. Quando eu simplesmente aprender a amá-la, finalmente encontrarei a liberdade que já habita em nós.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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