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A Codependência Não é Brinquedo de Criança

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" — Ajude-me, por favor, estou precisando muito de um abraço, Câmbio... — De quem é esta voz que vem de dentro de mim? Câmbio... — perguntou o Viajante Emocional. — Sou eu, sua Criança Interior; estou há décadas permanentemente inquieto, vazio e carente, desejando muito um abraço seu, um caloroso abraço bem apertado para encher minha alma de alegria... venha, venha abraçar-me, venha logo, Câmbio... — Ah Criança Interior é você? Por que não falou logo? Estou indo, já estou a caminho, guie-me até você e não medirei nenhum esforço até finalmente encontrá-la, Câmbio... — Viajante Emocional, venho tentando fazer contato com você muito antes do Pelé fazer o seu milésimo gol, e somente hoje você finalmente me ouviu... Vou guiá-lo até onde estou, comece a caminhar até encontrar um grande abismo à sua f...

O Saleiro, A Gata de Seda e a Gata de Chita

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Prefácio... Doze horas em ponto; desço pelo elevador da elevada e elegante torre, e vou almoçar no restaurante natural, na Rua da Passagem em Botafogo; depois de comer as saladas fico aguardando o prato quente, e neste diminuto espaço de tempo fico observando o solitário saleiro em cima da mesa, e então chega à minha mente um dito popular: "Se você desejar um dia conhecer uma pessoa, compre um quilo de sal e more com ela, e quando o sal estiver pela metade você saberá muito a respeito dela". Existe muita sabedoria nos ditos populares, penso eu achando aquilo um pouco engraçado. Senhor, Senhor... mande uma gata para mim, uma gata vestida de seda. Já tem uma gata Senhor, mas ela veste chita, é simples, inconstante, distante e costuma pisar com os pés descalços no chão. Não quero esta ...

Um Cafezinho com o Desconhecido Sentimento

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O Viajante Emocional andava por aquele corredor imenso com um sem número de portas, tal como o corredor de um grande hotel. Em cada porta o nome de uma de algumas de suas emoções, portas que já haviam sido abertas em algum momento de sua longa jornada interior, familiares portas: Porta do Medo, porta da Angústia, porta do Ressentimento, porta da Raiva, porta da Indiferença, porta da Ansiedade, porta da Alegria, porta da Birra, porta da Solidão, porta da Amizade... dentre tantas outras portas mais. Em determinado momento percebeu uma porta sem nenhuma inscrição de emoção, uma desconhecida porta emocional ainda não investigada, "que porta será esta? Certamente a de um sentimento ainda não revelado pela minha consciência", pensou ele enquanto abria a porta daquela ignota emoção. — Bom ...

Eureka, Eureka

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Ah... como diria Arquimedes, o grande sábio grego da antiguidade: Eureka, eureka [1]...  Eureka, eureka...  Meu Pai do céu, eu controlo tudo, controlo tudo para ser feliz, controlo tudo para que o mundo não vá pelos ares, controlo tudo para que haja harmonia universal entre os humanos, controlo tudo, tudo, controlo tudo o tempo todo meu Pai do céu. Eureka, eureka... Controlo meus pensamentos, palavras e atos, tudo devidamente controlado para agradar a você, para agradar ao pai, ao filho, aos outros, ao mundo e ao Espírito Santo, amém. Eureka, eureka... preciso controlar tudo, eu estou no centro, eu sou o universo e o responsável por tudo o que nele acontece, preciso controlar tudo para que tudo funcione, tudo...  Controlar para que a máquina de lavar funcione; controlar para que o ferro ...

O Viajante Emocional e a Criança Interior

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" O Viajante consultou suas anotações, constatando que estava viajando a exatos oito mil e setecentos e oitenta dias — vinte e quatro anos, dois meses e três semanas. Estava supostamente só e, muito, muito distante do ponto de partida, mas isto não o amedrontava — os viajantes não temem as longas estradas —, ele precisava alcançar a sua meta. Ele não sabia exatamente onde estava naquele momento, haveria alguém por ali? Naquele local somente escuridão e silencio, mas os aparelhos internos de sua nave — sua própria sensibilidade — detectavam alguma coisa, havia um misto de múltiplas emoções no ar, dentre elas, angústia, muita angústia. "De onde vem estes sinais de angústia?" pensou o Viajante Emocional enquanto preparava o sistema interno de comunicação. — Alguém na escuta, câmbio? — ni...

A Felicidade Trancada na Boleia do Caminhão

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Era setembro; o Viajante Emocional enveredou floresta adentro à procura de sua amiga, a Sábia Coruja. Depois de algum tempo de busca, conseguiu encontrá-la no alto de um pé de araribá com o belíssimo verde primaveril de suas novas folhas. — Sábia Coruja, imensa é a minha alegria em reencontrá-la — falou o Viajante Emocional embaixo da árvore. A ave voou mansamente para um galho próximo ao avistar o seu amigo. — Seja bem-vindo Viajante Emocional; em que posso ajudá-lo desta vez? — Gostaria de falar com você sobre minhas impressões sobre o meu sentimento de felicidade. — Ficarei feliz em ouvi-lo Viajante. — Quando era criança meu coração ficava partido quando meu pai partia para suas viagens, ele também era um viajante. No momento em que a carreta vermelha desaparecia na curva à esquerda no fin...

Nem Todas as Flores São Tóxicas

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Naquele fim de tarde dos primeiros dias da primavera, o Viajante Emocional localizou na borda da floresta a sábia Coruja empoleirada num dos galhos de um frondoso ipê rosa, e grande foi o seu contentamento. — Sábia Coruja, sofro de fobia social, fujo das pessoas tal como o diabo foge da cruz. — Mas qual a razão disto Viajante Emocional? — Ah Coruja... creio que tenha convivido com pessoas que de tão tóxicas me intoxicaram também. — No seu processo de fuga você acaba recluso de forma infeliz no seu próprio mundo emocional? — Sim Coruja, e neste estado de reclusão eu muitas vezes caio em processos depressivos. — Viajante... certa vez uma pequenina abelha saiu da colméia para coletar o néctar das flores pela primera vez. No caminho encontrou uma belíssima espatódea (Spatthodea campulata) carrega...