O Dilema do "Dono" do Grupo

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"




O mundo está cheio de codependentes; percebo isso claramente, pois também sofro dessa condição. Na minha cidade, existe uma sala de Codependentes Anônimos, mas poucos se dispõem a frequentá-la. Mesmo entre os que comparecem, noto uma profunda dificuldade em abrir-se sobre as questões centrais da nossa dependência.

Muitos aparecem uma única vez e desaparecem, deixando as reuniões em um ritmo arrastado, como a chama de uma vela na iminência de se apagar. Na última reunião, voltei para casa pior do que quando cheguei: as falas eram genéricas, distantes das feridas que realmente precisamos tratar.

Há dois anos, tento manter esta sala aberta. A companheira que me incentivou a reativar o grupo se foi, e desde então assumi todos os encargos: abro e fecho o espaço, coordeno, preparo o café e pago as contas. Tornei-me o "dono" do grupo, o que fere nossas tradições. Ainda assim, movido pela minha própria codependência, insisto na ilusão de que posso salvar o grupo sozinho, esperando que, em algum momento, o milagre da adesão aconteça.

Hoje, entendo que preciso aprender o desapego: não estou no controle, não tenho o poder de manter as portas abertas sozinho e não sou o salvador de ninguém. Só por hoje preciso aprender a entregar o controle de tudo, inclusive o da sala, nas mãos de um Poder Superior, conforme eu O concebo —. Terceiro Passo.

Clique em Codependência: Um Emaranhado de Arame Farpado para ler a crônica anterior, ou em Para Onde Fogem as Crianças Feridas para ler a seguinte.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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