Fome de Viver

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



A fome me consome. Fico parado diante da vitrine, admirando o prato do dia com uma vontade que beira o desespero. É tudo tão próximo, mas inalcançável; o vidro não me permite tocar, nem sentir o aroma, nem saciar o que pulsa em mim.

Essa cena é o espelho exato da minha existência. A vida desfila diante de mim como um banquete de sabores vibrantes, mas permaneço isolado do lado de fora. O vidro que me separa de tudo o que é maravilhoso e vivo não é feito de matéria, mas da minha própria rejeição. É uma dor lancinante: estar tão perto do que faz a vida valer a pena e, ainda assim, definhar à margem dessa barreira invisível.

Antes de conhecer os Doze Passos, eu tentava calar essa fome buscando preenchê-la com as coisas materiais do mundo. Hoje, compreendo que a raiz é outra: é uma fome espiritual, uma sede da minha presença integral, um anseio profundo de Deus, conforme eu O concebo.

Em humilde rendição, rogo a Ele que desfaça este vidro, que cure minha rejeição e me permita, enfim, entrar no banquete da vida — tal como sugere o Sétimo Passo.

Clique em Entre o Adulto Neurótico e a Criança Ferida para ler a crônica anterior ou em Entre o Pensamento e a Realidade para ler a seguinte.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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