O Outono e a Criança
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Desde a infância, sempre condicionei a minha felicidade à realização de desejos. Hoje, olhando em retrospectiva, percebo que muitos deles foram, de fato, concretizados — arrisco dizer que a grande maioria. Portanto, eu deveria ter tido uma vida plena e feliz, afinal, meus sonhos se tornaram realidade. Mas não foi bem assim...
Agora, já no outono da minha vida, compreendo que esses desejos mentais sem fim não passavam de um artifício para fugir do instante presente; uma tentativa de encontrar a felicidade em algum tempo ou lugar distante, e nunca no aqui e no agora. Essa foi a maneira que o meu velho ego encontrou para mascarar um sentimento doloroso, perverso e sutil que só vim a descobrir na época da pandemia: a rejeição. Meu ego tem imensa dificuldade em lidar com a verdade e com a realidade.
Preciso aprender a viver e a encontrar a alegria na própria existência, mesmo quando meus desejos não forem satisfeitos. Afinal, percebo hoje que eles são apenas brinquedos de uma criança imatura, insegura, carente e amedrontada. Uma criança que, por tanto medo de encarar a vida como ela é, passou a criar sistematicamente um mundo idealizado e inatingível, apenas para não sentir a sua dor mais profunda: a dor da própria rejeição.
Em processo de recuperação, estou aprendendo a amar essa criança que habita em mim. E, assim como ela precisa do meu acolhimento, eu também necessito desesperadamente do amor dela. Tudo converge aqui dentro. No final das contas, eu e essa criança somos uma coisa só.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.
Clique em Eu e as Minhas Máscaras para ler a crônica anterior, ou em A Noite Não Briga Com o Sol para ler a seguinte.

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