O Cachorrão Rabugento
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Quatro horas da manhã. Um cachorro, muito longe, late. Ouço o latido distante, bem baixinho.
O cachorrinho da casa escuta e responde, latindo também. Agora o som é perto e alto. De novo. Tudo se repete. Na terceira vez, minha companheira resolve colocá-lo para dentro do quarto. O latido poderia incomodar os vizinhos. Não achei uma boa ideia, mas já era tarde. Entrou o cachorrinho e, com ele, o outro cachorro. Um terceiro ficou do lado de fora, latindo para entrar. Lá se foi o meu sono.
Levantei às quatro da manhã, de mau humor, e nessa hora o cachorrão dentro de mim começou a rosnar solitariamente seus pensamentos neuróticos. Tomei café e esperei um pouco para ir para o mato. Ainda estava escuro. O cachorrão continuava rosnando, chateado com a situação.
Antes de clarear, fui para o campo e meus três cachorros me seguiram, como sempre. Finalmente no mato. Agora teria paz, sossego e silêncio. Quem sabe assim o cachorrão emburrado dentro de mim finalmente se acalmasse.
Lá no mato, uma cerca. Perto da cerca, uma vaca. Enquanto eu cuidava das plantas, dois dos três cachorros resolveram latir para ela. Latiram sem parar por mais de duas horas, todo o tempo em que fiquei no campo.
Enquanto eles latiam, o cachorrão neurótico dentro de mim ficava ainda mais descontrolado. Ele queria silêncio. Queria ouvir o canto dos passarinhos. Queria paz. Mas...Até que finalmente refleti:
"Viajante Emocional, você tem um programa. Sua mulher não tem, os cachorros não têm, e a vaca também não. Aloísio, pare de alimentar esse cachorrão neurótico e emburrado dentro de você. Pratique o programa de 12 Passos, Viajante Emocional. É para isso que ele serve. "
Às sete e meia da manhã voltei para casa com o senso de humor equilibrado de novo. Que bom. Não controlo minha mulher, não controlo meus cachorros, não controlo os cachorros dos vizinhos, não controlo as vacas no pasto. Não controlo nem mesmo meus pensamentos e emoções. Não controlo absolutamente nada.
Preciso lembrar-me do que escrevi no parágrafo anterior a cada instante. Caso contrário, continuarei permitindo que o cachorrão rabugento que mora em mim apronte das suas e azede os meus dias de viver.
Existe um cachorrão neurótico e rabugento dentro de mim. É de minha inteira responsabilidade alimentá-lo ou não, a cada dia que o sol desponta no horizonte.
Clique em O Dia que Fui Morar nos Outros para ler a crônica anterior, ou em Tão Leve Quanto Um Passarinho para ler a seguinte.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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