O a, b, c da Espiritualidade

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



Nas recordações mais remotas da minha infância, minhas dores emocionais já estavam lá. Meu estado depressivo não foi algo que aconteceu aos poucos; sinto que nasci com ele, carregando todos os dias uma angústia sem fim. Até hoje, mais de sessenta anos depois, ainda convivo com esse mesmo sentimento.

Com o passar dos anos, essas dores tornaram-se mais evidentes. Eu era um sofredor crônico, mas achava que aquele peso constante era normal e, por isso, jamais me abri com ninguém. Em segredo, passei a sonhar que poderia ser feliz um dia. Imaginava que algum evento mudaria a minha vida e desejava, desesperadamente, que alguma força externa trouxesse um pouco de paz e alegria ao meu viver.

Eu existia no mundo sentindo-me como um hóspede indesejado. Para não sofrer tanto, criei mundos mentais e fantasiosos onde eu era sempre muito feliz. Estabeleci marcos para finalmente alcançar essa felicidade: o término de um curso, uma viagem, uma namorada, a compra de um carro, um bom emprego, a independência financeira... Todos esses objetivos foram alcançados, mas a harmonia tão sonhada jamais chegava.

Arrastei-me assim pela vida até os 39 anos, quando ingressei nos grupos de 12 Passos. Ali, paulatinamente, comecei a aprender o "a, b, c" da espiritualidade. Pela primeira vez, olhei para dentro de mim. E lá dentro, apesar de todas as dificuldades mentais e emocionais, encontrei as ferramentas que me ajudaram a despertar daquele inferno que parecia perpétuo, caminhando para uma vida com mais leveza e propósito.

Hoje compreendo: é muito triste viver no entorno do próprio umbigo. É doloroso o sentimento de rejeição por si mesmo, por tudo e por todos, e é devastador não ter fé em um Poder Superior. O orgulho é, verdadeiramente, uma grande tragédia.

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

Clique em O Caminhoneiro e o Mar para ler a crônica anterior.

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