Os Verdes Mares de Fortaleza

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"



1970...

Meu pai era caminhoneiro. Certa vez, ele fez a viagem mais longa da vida: de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, até Fortaleza, no Ceará. Quase 2.580 km de estrada. Demorou mais de um mês para voltar, e eu senti muito a falta dele.

Quando finalmente retornou, a casa inteira se encheu de alegria. E ele me disse uma frase que ficou gravada para sempre:

— Meu filho, viajei até o fim da BR-116.

Então eu perguntei:

— Pai... e o que tinha depois do fim da estrada?

Ele respondeu:

— O mar, meu filho. Depois da estrada, só o mar sem fim.

Um dia, eu preciso ver com meus próprios olhos esse mar de Fortaleza. Ele era tão grande que não coube no olhar do meu velho pai, o caminhoneiro Sebastião. E, muito provavelmente, também não vai caber no meu.

2026...

Fui a um encontro em Fortaleza. Revi velhos amigos, fiz novas amizades e foi maravilhoso ter estado lá. Num certo dia, fui à praia. Um dia claro, lindo e ensolarado, com um céu azul-de-brigadeiro.

Então aconteceu. Sem prever nada, sem pensar em nada, simplesmente aconteceu: vi aquele mar verde e sem fim, o mesmo mar descrito por meu pai cinquenta anos atrás.

Foi tudo muito rápido. Enquanto eu olhava para aquela imensidão, lágrimas de emoção e gratidão jorraram dos meus olhos. Senti a presença do meu pai — que já partiu para o segundo andar da vida — e senti também, bem pertinho de mim, a presença de alguns companheiros da irmandade dos 12 Passos.

O mar, de tão grandioso, não coube no meu olhar. Mas ali, naquela praia bonita em Iguape, com os pés tocando a areia e o horizonte infinito diante de mim, vivi com profundidade aquele instante. O sentimento de pertencimento e presença traz uma paz maravilhosa, que só pode ser alcançada pela entrega integral ao momento presente.

Naquele meu olhar, estava o olhar do meu pai. Estava o olhar de todos os companheiros ao meu redor, o olhar de todos os companheiros do encontro, o olhar de todos os meus afetos. Naquele meu olhar, havia um profundo sentimento de gratidão pela vida — e pelo presente que me ofertou um dia através de um programa de 12 Passos.

Minha eterna gratidão a todos os companheiros que participaram do nosso encontro e que, mesmo sem saber, me ajudaram a contemplar a imensidão bonita dos verdes mares de Fortaleza.

Clique em A Capa da Ausência para ler a crônica anterior.

Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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