Eu Tenho Medo de Você
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Para evitar que você me machuque, farei de tudo: vou te agradar, fugir, mentir e sorrir sem vontade. Guardarei comigo uma enorme carga de raiva e ressentimento, mas você jamais saberá. Eu não revelarei a verdade; afinal de contas, minha primeira defesa é mentir para você.
Eu preciso que você me salve, me abrace, esteja do meu lado e me compreenda. Preciso que nunca grite comigo, nunca aponte o dedo acusador e jamais me fuzile com o olhar. Você aceita esse trato?
No presente momento, eu só sei quem sou através do seu reflexo. Preciso de você para me decifrar, pois ainda não me conheço. Estou recolhido no meu próprio mundo, tal como uma semente esperando o momento de brotar.
Eu precisei de você para aprender a voar, mas você cortou minhas asas. Precisei de você para experimentar a liberdade, mas você me cativou em suas cadeias. Busquei em você autonomia e confiança, mas você transformou o mundo num lugar assustador. Eu quis crescer em direção à luz, como as árvores, mas minhas raízes foram sufocadas pela insistência de que eu não passava de um arbusto. Eu quis amar, mas ouvi que o amor era uma tolice. Busquei presença e recebi ausência; busquei certezas e recebi dúvidas.
Por me induzir a temer os outros, acabei me isolando de todos — inclusive de você. Mergulhei no meu próprio mundo, bebendo da minha amargura e sentindo a dor profunda da solidão e da rejeição.
Mas agora, um estalo de lucidez acontece.
A você — seja quem for, ou a qualquer um que eu tenha colocado no papel de vilão e responsável pelas minhas dores emocionais — eu peço perdão. Por favor, perdoe-me. Acabei de descobrir que este texto nunca foi sobre você.
Tudo o que escrevi reflete apenas o meu próprio olhar infantil: o eco de uma criança ferida e assustada. Nessa imaturidade, percebo o tamanho do meu caminho de evolução. Reconheço que estou totalmente envolto nas minhas próprias neuroses e nos nós ainda apertados da codependência. Eu estava paralisado no egocentrismo da dor, aguardando por um despertar espiritual que começa, finalmente, neste exato momento em que assumo a minha própria história.
Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

Comentários
Postar um comentário