Eu e o Outro
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
O que o outro vai pensar de mim?
Será que o outro vai gostar de mim?
Será que o outro vai olhar com olhar acusador para mim?
Será que o outro vai apontar o dedo para mim?
Será que o outro vai gritar comigo?
Será que o outro vai castigar-me por algo que eu não fiz?
Será que o outro vai desprezar-me já que eu não o estou agradando?
Eu preciso ser bonzinho para que o outro goste de mim.
Eu preciso ser invisível para que outro não note a minha presença.
Eu não posso dizer não para o outro.
Eu preciso sempre agradar ao outro.
Eu não suporto a ideia de que o outro não goste de mim.
Eu engulo todos os sapos do mundo para não contrariar o outro.
Eu rasgo todas as sedas do mundo para não falar de forma direta com o outro.
Eu piso em ovos na presença do outro.
Eu tremo da cabeça aos pés na presença autoritária do outro.
O outro diz que eu sou uma besta quadrada;
O outro é mais inteligente e capaz do que eu.
O outro nunca me elogia, é sempre indiferente ou crítico.
O outro é mais feliz do que eu.
O outro sempre tem razão.
O outro sabe o que é melhor para mim.
Tudo o que o outro diz precisa ser acatado de forma incondicional.
Quase todos os dias eu tenho muita raiva do outro.
Quase todos os dias eu discuto mentalmente com o outro.
Quase todos os dias eu tomo satisfações com o outro.
Quase todos os dias eu estou ressentido com o outro.
Quase todos os dias eu quero mandar o outro para os quintos dos infernos, ou além.
Que coisa mais louca é este outro.
Quem é este outro que nunca me abandona e vive apodrecido dentro de mim?
Quem é este outro que governa meus pensamentos, palavras e atos?
Quem é este outro que me julga como o mais severo dos juízes?
Quem é este outro que me investiga como um detetive?
Quem é este outro que me perssegue incansavelmente e nunca me dá descanso?
Quem é este outro que mais parece um capitão do mato, tratando-me como um escravo desprezível?
Quem é este outro diante do qual eu me sinto como uma criança fragilizada, amordaçada, amedrontada, envergonhada, culpada, calada, magoada, maltratada, desprezada, insultada, ignorada, aterrorizada?
Quem é este outro muito tóxico que me faz muito mal, e mesmo assim eu não consigo afastar-me dele.
Ah meu Senhor e meu Deus, quem é este outro que me vigia como um feroz cão de guarda diuturnamente desde que eu percebi que existia?
Ah meu Senhor e meu Deus... Só por hoje, só por um minuto, só por um instante que seja eu gostaria de experimentar a liberdade de não viver mentalmente aprisionado a este terrível outro, este terrível outro que eu ainda não sei exatamente quem é.
Ah Meu Senhor e meu Deus, pela sua graça, revele para mim este outro oculto, rejeitado e indesejado no meu interior, este outro para quem eu delego tanto poder, a fim de que eu possa finalmente libertar-me da ilusão de que existe um outro em mim.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.
Clique em A Descarada Rejeição para ler a crônica anterior, ou em Alguns Sintomas da Doença do Isolamento para ler a seguinte.

Comentários
Postar um comentário