Alguns Sintomas da Doença do Isolamento
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Sofro de uma terrível doença, a doença do isolamento. Só por hoje estou em tratamento, e se eu deixar de seguir as prescrições que me ajudam a livrar-me deste flagelo pessoal, volto para a minha prisão, o poço depressivo e escuro, o pior lugar do mundo.
Alguns dos sintomas desta doença em mim que me acompanham desde que eu era uma criança — estaria ainda em mim esta criança amedrontada até os dias de hoje? — são:
Pensar o tempo todo que a grande maioria das pessoas não são confiáveis;
sentir um medo pavoroso das pessoas;
tentar controlar todas as pessoas ao meu redor a fim de que elas nunca entrem no modo de descontrole de suas emoções, descontroles estes que podem ferir-me (fúria, intolerância, indiferença, soberba, orgulho, arrogância...)
sentir uma grande dificuldade de pedir ajuda para as pessoas;
sentir um imenso nó na garganta quando preciso dizer um "Não" para alguém;
por pensar que as pessoas foram as responsáveis pelos meus problemas de isolamento, eu mentalmente as julgo, critico e até mesmo as condeno com muita frequência;
idealizar no meu cabeção pensante uma ilha bem bonita em algum lugar do oceano onde eu viveria solitário e feliz para sempre;
fechar a porta do quarto e ficar lendo infinidades de livros em busca de uma solução para esta terrível sensação de vazio que tenta devorar-me como um monstro mitológico;
assistir a filmes que me transportem para mundos felizes onde a dor humana foi totalmente erradicada;
realizar muitas fugas mentais e físicas buscando sempre um lugar no tempo futuro e no espaço longínquo a fim de encontrar a felicidade tão desejada;
idealizar uma mulher muito bonita e de uma bondade sem fim, uma santa que jamais venha contrariar-me, e que com a sua simples presença poderia preencher toda esta minha doida solidão de viver;
sentir-me como um verdadeiro santo perdido aqui na terra, aguardando avidamente que os meus grandes salvadores celestes — Jesus Cristo, Lao Tsé, Buda, Abraão, Isaac e Jacó, São Francisco de Assis, Nossa Senhora da Penha, das Dores, do Rosário, de Lourdes, da Aparecida do Norte... — venham salvar-me deste mundo cheio de pessoas complicadas, aguardando enfim, por todas as Nossas Senhoras e todos os grandes iluminados da história humana;
dar vida com muita frequência a pensamentos mágicos que fariam de mim o sujeito mais feliz do mundo;
sentir-me como o grande responsável por tudo o de ruim que acontece ao meu redor, e desta forma punir-me severamente, como se eu não fosse merecedor de nada de bom neste mundo.
Venho tratando todos estes sintomas — existem muitos outros —, tão complicadas da minha doença do isolamento através da prática constante do programa de 12 Passos em minha vida. Frequento as salas presencias faz muitas 24 horas, e com o decorrer do tempo ficou patente para mim que eu estou melhorando, muitos dos sintomas narrados acima ainda estão aqui, mas o grau de intensidade das dores por eles causados diminuíram muito, o Viajante Emocional que entrou na sala lá no primeiro dia é completamente diferente do Viajante Emocional que está aqui agora escrevendo estas linhas, o velho Viajante Emocional não escrevia nada, ou quando escrevia, rasgava rapidamente os textos a fim de que ninguém viesse a descobrir os seus dolorosos segredos.
Com o tempo eu passei a ter um profundo respeito pelo programa de 12 Passos, sua prática constante me salvou da loucura, tão grande era o meu sofrimento, e lá no passado eu cheguei mesmo a acreditar que os loucos não sofriam, então a loucura poderia representar para mim um lugar de paz dentro do inferno que era o meu viver, será que os loucos realmente não sentem?
Hoje eu sei que a minha doença do isolamento não foi ocasionada por nenhum fator externo, é um problema meu que eu preciso resolver, e isto somente é possível para mim na medida da minha entrega a um amantíssimo Poder Superior, conforme eu O concebo — Terceiro Passo —, pois sem esta fé neste Poder Superior, por mais gigantescos que possam ser os meus esforços para libertar-me destes estados patológicos de infelicidade crônica, eu infelizmente continuaria errando pelos áridos desertos de minhas infantis ilusões totalmente inconsciente do meu próprio estado interior — a doença do isolamento, ou doença das emoções, é completamente cega, surda e muda, e seus portadores costumam chorar escondidos e sofridos pelos secretos lugares dos seus corações.
A prática do Quarto Passo é fundamental no meu processo de quebra desta gama enorme de pensamentos distorcidos que eu aprendi a desenvolver como um mecanismo de defesa desde a minha infância, e é através dele que eu vou descobrindo a natureza exata de todas as minhas humanas dificuldades, e escrever sobre tudo isto me ajuda muito neste processo de auto descoberta, que eu sei que começou lá no meu primeiro Quarto Passo numa distante tarde de um certo domingo do meu passado, mas que seguramente eu não sei onde terminará.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.
Clique em Eu e o Outro para ler a crônica anterior, ou em As Correntes da Rejeição e as Asas do Amor para ler a seguinte.

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