A Descarada Rejeição
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
"Abra já a porta!"
Quem está aí fora?
"Sou sua Rejeição e quero ter uma conversinha com você."
Pois não, sou todo ouvidos.
"Estou muitíssimo decepcionada com você!"
O que aconteceu?
"Não estou gostando nem um pouco destas suas idas às salas de 12 Passos, mas que história é esta?"
Vou lá com frequência cuidar da minha saúde mental e emocional.
"Já está na hora de parar com isto, onde você acha que vai chegar com estes 12 Passos?"
Isto não é problema seu!
"Seu atrevido, seu moleque insolente, se você continuar com esta sua desobediência irresponsável acertaremos nossas contas, você me conhece muito bem, e se continuar assim te mando de volta para o poço depressivo."
Eu vou continuar voltando às salas, sabia que lá tem o Quarto Passo, onde eu faço o meu inventário pessoal, falando destemidamente de todas as emoções guardadas em mim por tantos anos?
"Faça-me o favor de calar a sua boca neste tal de Quarto Passo, continue caladinho como sempre foi, caso contrário você sentirá as garras de minha ira através de uma tempestade sem fim de pensamentos negativos que descarregarei sobre você, você sabe muito bem do que eu estou falando."
Gosto muito do Quarto Passo, através dele eu posso descobrir todo um universo de emoções dentro de mim, e foi através da prática dele que eu descobri você.
"Você não está me ouvindo, ou está fazendo-se de idiota! Faça-me o favor de não ficar falando para terceiros sobre mim, não te dou esta autorização, é bom você não esquecer que quem está no controle da sua vida sou eu, eu sou o seu soberano, está me entendendo?"
Conversa fiada... aprendo também em 12 Passos a entregar a minha vida e a minha vontade aos cuidados de um Poder Superior, conforme eu O concebo, e só por hoje eu não desejo mais ser submisso a você, eu reconheço a sua força, mas sei que na verdade esta força se alimenta tão somente da minha própria fraqueza.
"Escute bem cidadão... não gosto nem um pouco desta história de Poder Superior, não gosto nada desta conversa sobre espiritualidade e inventário, não gosto de nada disto. Quero você como sempre foi: Cordado, bonzinho, submisso, calado, conformado, resignado, angustiado... Você está me entendendo? Vá tirando o seu cavalinho da chuva, vá engulir os seus sapos pelos seus brejos emocionais, vá calar a sua boca e recolher-se à sua insignificância, faça-me o favor de não me irritar ainda mais, senão..."
Senão o que?
"Senão eu ordeno a minha turma que está la fora que entre aqui e infernize a sua vida, e então você vai se arrepender amargamente do dia em que nasceu, estamos conversados?"
Eu vou continuar voltando às reuniões, e com relação à sua turma, a porta está aberta, e todos eles serão bem recebidos aqui.
"Pois então assuma as consequências de sua insubordinção, e quando você não aguentar mais sofrer, que vá chorar as suas pitangas pelos cantos obscuros dos seus porões mentais e emocionais. Vocês aí fora... medo, culpa, ressentimento, raiva, angústia, ansiedade, remorso, nostalgia, indiferença, vazio, vocês, todos vocês, entrem agora e infernizem a vida deste ingrato que me desrespeita e me insulta. Só por hoje eu me retiro, e quando você estiver muito mal eu te mostrarei quem de fato é o seu Poder Superior, e também com quantos paus se faz uma canoa seu ordinário."
Sejam todos bem-vindos sentimentos meus; medo, fique à vontade, não precisa ficar encolhidinho atrás da porta, ninguém vai ferir você; culpa, relaxe, não vou apontar o dedo e tampouco gritar com você; ressentimento, eu te compreendo e sei que vives no passado, e você minha ansiedade, você que só vive no futuro, entrem vocês dois, entrem e fiquem à vontade aqui e agora, pois o presente é o melhor lugar do mundo; minha raiva querida, você, de tão congelada está fria e distante, entre na minha casa, entre, aqui não faltará calor humano para esquentar o seu coração; olá minha angústia que me visita sorrateiramente todas as tarde, pode entrar e não se acanhe, não te expulsarei, não acenderei velas para os santos a fim de afastá-la da minha vida, entre, entre, a casa é sua; minha nostalgia querida, prima irmã de minha angústia, minha indiferença, meu vazio, entrem, entrem todos...
Ah sentimentos meus... vocês desprezados há milêlinos por todos, vocês sem atenção, sem carinho, sem acolhimento, sem entendimento, vocês, indesejados e entorpecidos pelas drogas, pelos vícios, pelos medicamentos coloridos, pelas guerras, pelas bombas, pelos tiros, pelas diversões mundanas, pelas fugas sem fim, vocês, todos vocês, entrem, entrem e sintam-se em paz e à vontade aqui na minha casa interna.
Tem café, pão, queijo e manteiga em cima da mesa, tem cachorro debaixo da mesa, tem chuva caindo no quintal molhando amorosamente as árvores que crescem no chão, tem alegria e paz aqui neste maravilhoso domingo cheio de graça, da graça que recebo através da simples prática do Programa de 12 Passos, da graça de um Poder Superior, conforme eu O concebo.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.
Clique em A Doença Invisível para ler a crônica anterior, ou em Eu e o Outro para ler a seguinte.

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