O Homem Elefante
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
O filme era em preto e branco, e eu, um adolescente. Na tela, o personagem principal exibia o corpo todo deformado por uma doença terrível. Tratado como uma aberração humana e um débil mental, ele era usado como atração de um circo de horrores na Inglaterra do século XIX. O tratamento que recebia era de uma crueldade sem limites, como se ele não passasse de um animal desprezível.
Até que surge alguém naquele espetáculo degradante. Um médico que, movido por uma profunda compaixão, decide resgatá-lo da sarjeta e acolhê-lo no hospital.
No início, a sociedade olhava para aquele homem com ceticismo e frieza. Diante dos olhares distantes dos especialistas e de suas perguntas mecânicas, o "Homem Elefante" se recolhia em si mesmo e se calava. Para muitos, o diagnóstico estava dado: uma visita inútil, um caso perdido, uma mente vazia. Eles achavam que estavam perdendo seu precioso tempo.
Mas o benfeitor não desistiu. Começou a ler livros para ele e, aos poucos, percebeu que atrás daquela aparência devastada existia uma alma brilhante. Deu-lhe acesso à sua biblioteca e o homem começou a devorar as páginas em segredo.
O filme avançava para o final...
Certo dia, o benfeitor caminha pelo imenso corredor em direção aos aposentos do homem. De repente, ele ouve versículos de um livro sagrado sendo recitados com uma beleza e profundidade infinitas. Atônito, ele pensa: "Mas isso não é possível... Eu nunca li essa passagem para ele."
Guiado pelos ouvidos e pelo coração, ele abre a porta do quarto. Lá está o Homem Elefante, de pé, declamando tudo de memória. Estupefato, o médico pergunta: "Onde você aprendeu tudo isso?". A resposta veio com uma simplicidade esmagadora: "Nos livros da sua biblioteca, senhor."
De todos os filmes que já assisti na vida — e foram muitos —, essa foi a cena que mais me marcou. Porque, de alguma forma mágica e dolorosa, percebi que aquela história não era sobre um homem deformado do século XIX, com seus dramas, abandonos e abusos.
Aquele filme era sobre mim mesmo, um século depois.
Todo abandono, todo preconceito e qualquer tipo de violência física ou moral tocam com profunda intensidade as sensíveis cordas do meu ser. Olhar para o Homem Elefante foi como olhar para um espelho onde enxergo também minhas próprias feridas invisíveis, descobrindo que, por trás de qualquer casca de dor ou rejeição, habita uma dignidade intocável.
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Pública é a minha codependência, consciente de que sou muito maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje, eu me dou o direito de ser a pessoa mais importante da minha própria vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

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