O Preto e a Branca


"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Lá vai o Preto do caminhão morro acima em direção ao seu barraco distribuindo bonitos cortes de tecidos para suas vizinhas e parentes. Chega finalmente embriagado de alegria lá no alto do morro, lá no último barraco, sua casa, sem um único corte de tecido na mão.

Sua mulher, a Branca da máquina de costura, não comenta nada, e nos dias que se seguem sente uma silenciosa amargura por costurar tantos belos vestidos para suas vizinhas, não podendo, apesar do grande talento, costurar um vestido para si mesma.

Sessenta e seis anos depois eu consigo observar a cena sem nenhum tipo de crítica ou julgamento, pois sou eu o Preto que sobe o morro, e também sou eu a Branca sentada na máquina de costurar, e é como se neste instante singular eu estivesse ali dentro daquele barraco pobre dizendo para eles com toda a força do meu coração: Eu os honro e aceito como são, pois os seus sentimentos e emoções são também os meus, e sem vocês eu não estaria aqui.

O barraco não existe mais, todos aqueles vizinhos não estão mais aqui, o Preto e a Branca não estão mais aqui, a ladeira ainda está lá, mas agora é moderna e pavimentada, mas algo muito valioso resistiu a ação do tempo: O profundo amor que sinto por aquele Preto, por aquela Branca e por aquele barraco onde nasci lá no alto do morro, num lugar tão simples e tão pertinho de uma nascente e de uma mata.

A chegada do sopro do vento da gratidão é o maravilhoso prenúncio de que a dolorosa travessia do deserto mental e emocional está finalmente chegando ao seu fim.

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.

Clique em A Fuga Através do Trabalho para ler a crônica anterior, ou em Meu Quartinho de Entulhos para ler a seguinte.

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