Meu Quartinho de Entulhos
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Minha grande e única dificuldade está nos meus apegos. Aqui na minha casa tem um quartinho acessório, tudo aquilo que já foi ou que ainda poderá ser útil um dia costuma ir para lá. Simplificando: Tem um monte de coisas inúteis no quartinho, coisas que eu deveria jogar fora, mas o apego...
São estes os apegos externos, mas existem os outros, os internos, aqueles que muitas vezes transformam a minha vida num inferno pessoal. Estou afirmando que na minha casa mental também tem um quartinho que por anos esteve fechado a sete chaves — o Quarto Passo tem me ajudado a abri-lo.
Reparem nas coisas que escrevo ao longo dos meus depoimentos e lá encontraremos em abundância muitas das minhas posses, os meus apegos emocionais: Minha depressão; minha culpa; meus padrões de salvador ou herói, vítima, vingador e coitadinho; meus ressentimentos; minha rejeição; minha raiva; minha vergonha tóxica; meus pontos de vista; minha tentativa de imposição da vontade sobre os demais; meu orgulho; meus ressentimentos; minha angústia; meu complexo de inferioridade e superioridade; minha indiferença; minha falta de fé em Deus; minhas tentativas insanas de controlar todo o universo; meus amores platônicos; meus pensamentos mágicos; meus pensamentos repetitivos; meus pensamentos negativos; meu sentimento de vazio; minha ansiedade; minha intolerância...
Certamente que tem muito mais, e o meu problema é fazer a faxina no quartinho a fim de livrar-me de todas estas posses, mas como eu disse no começo, a raiz da minha encrenca está no profundo apego, e como apegado não quero abrir mão de nada, pois simplesmente ainda não aprendi a viver sem tudo isto, e de certa forma estas coisas todas definem muito a minha personalidade.
De vez em quando eu vou ao quartinho físico, faço lá uma faxina, coloco as coisas em sacos e entrego para o pessoal da reciclagem, isto já não é tão difícil.
Mas abrir o meu quartinho emocional, faxinar, ensacar e entregar todos estes entulhos nas mãos de Deus de forma a não pegar nada de volta ainda é muito difícil para mim, pois muitas vezes não é um Deus amantíssimo e desapegado quem governa a minha vida, mas um deus mental completamente apegado às visíveis formas físicas e às invisíveis formas mentais.
Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos — Terceiro Passo.
Só por hoje meu processo de recuperação necessariamente passa pela entrega dos meus apegos e da minha vida aos cuidados de Deus, na forma em que eu O concebo.
Viajante Emocional, o apegado contumaz ao seu quartinho de entulhos mentais e emocionais.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.
Clique em O Preto e a Branca para ler a crônica anterior, ou em A Rejeição e o Moço do Cabeção Pensante para ler a seguinte.

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