A Angústia, o Velho e a Criança Interior
Todos os dias o velho saía para plantar suas árvores, ia invariavelmente só, na verdade ia sempre na companhia de um sentimento que o acompanhava desde a infância: sua angústia; sobre ela — a angústia —, havia ao longo de sua vida consultado todos os especialistas no assunto, mas nenhum deles conseguiu sanar aquele problema, disseram então para ele que aquela emoção era crônica, e que seria sua permanente companhia até o fim dos seus dias, a menos que ele tomasse uma série de comprimidos coloridos para anestesiar o desconforto emocional e afastar o cinza de sua vida.
O velho não se revoltou com o diagnóstico, não tomou os coloridos comprimidos, aceitou a situação e continuou a tocar sua vida e sua angústia. Numa certa manhã, depois de plantar suas árvores, o velho sentou-se sob a sombra amiga de uma paineira, relaxou e cochilou, e no breve cochilo o velho sonhou, e no sonho ele viu uma criança esquecida, perdida, sofrida, deprimida e profundamente angustiada dentro dele mesmo. Aquilo tocou de tal forma o sentimento do velho que ele imediatamente despertou, e ao despertar gritou em alto e bom som lá no alto do campo: "Meu Deus do céu, habita uma criança dentro de mim, e dela nasce a fonte de minha própria angústia" — somente os passarinhos do céu, algumas vacas, uma égua e sua cachorrinha vira lata ouviram o seu brado.
Nos dias que se seguiram, o velho percebeu que aquela visão sob a sombra da paineira havia sido muito mais do que um sonho, descobriu que aquela criança — uma criança interior —, de fato habitava dentro dele, e que ele pelos caminhos de suas próprias emoções, poderia estabelecer contato com ela sempre que desejasse.
Daquele dia em diante, quando saía para plantar suas árvores, o velho sempre pegava nas mãos de sua criança interior e a levava consigo para o campo, e o velho sentia que a criança gostava daquilo e que a angústia dela ia aos poucos diminuindo.
Nos anos que se seguiram o velho nunca mais deixou de estar com a criança, e grande era a alegria dela, quando ele em todas as manhãs pegava em suas mãos para levá-la para o campo, a criança estava melhorando a olhos vistos.
Até que chegou um dia em que a idade do velho avançou tanto que suas energias começaram a diminuir, então ele percebeu que não teria mais forças para seguir diariamente para o campo juntamente com aquela criança que ele amava com todo o seu coração, e foi muito difícil dizer isto para ela, mas ele, com o coração oprimido e lágrimas nos olhos disse mesmo assim: "Criança querida, de amanhã em diante não iremos mais para o campo, estou muito velho e minhas forças vitais estão chegando ao fim".
Na manhã seguinte ao despertar, qual não foi a maravilhosa surpresa do velho ao notar que a criança estava do lado dele. Daquele dia em diante, quando saía para plantar suas árvores, a criança sempre pegava nas mãos do velho e o levava consigo para o campo, e a criança sentia que o velho gostava daquilo e que a angústia dela, bem como a do velho não existia mais — imensurável foi a alegria de ambos ao descobrirem que eles eram apenas um.
Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

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