Amar Também é Preciso
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Seja muito bem-vindo ao blog; Benvindo é meu sobrenome, Anônimo é o meu nome e pública é a minha codependência e gratidão
Quem pode salvar a criança que habita em mim lá do fundo do seu depressivo e escuro poço?
Quem pode libertar a criança que habita em mim lá do alto do seu desolado penhasco na escuridão da noite?
Quem pode orientar a criança que habita em mim completamente perdida no seu labirinto de dor, vergonha e insegurança?
Quem pode dizer para a criança que habita em mim que seus medos são simples ilusões?
Quem pode livrar a criança que habita em mim da sua vergonha tóxica, crônica, excludente e indigente?
Quem pode pegar nas mãos da criança que habita em mim e caminhar com ela pelas noites escuras do seu perpétuo pesadelo, libertando-a dos seus fantasmagóricos medos, que de tantos, são plurais; destes medos doentes e descontentes; destes medos medonhos e enfadonhos; destes medos perversos, que de tão imensos são quase universo; destes medos sem pé nem cabeça; destes medos do cão, medos do bicho papão, medos da assombração, medos da escravidão, medos da solidão; destes medos feito grades, grades de prisão, quem?
Quem pode abraçar a criança que habita em mim e preencher todos os seus infinitos vazios de ser e existir?
Quem pode mitigar todas as infinitas dores e carências da criança que habita em mim?
Quem pode brincar, conversar e olhar para ela?
Quem pode tocá-la, ouvi-la e senti-la?
Quem, quem, quem?
A resposta está no amor que habita em mim em estado latente — meu desamor pessoal é um estado doente —, em estado virtual, em estado potencial; a resposta está no meu amor negado; represado; contido; não sentido; não vivido; desconhecido; reprimido; comprimido; a resposta está no meu mais profundo receio de amar — o avesso da minha existência —, receio este que me levou a deploráveis estados de guerra e prisão interior — meus pés tocaram as bordas da insanidade —, como se amar fosse incerteza, mas agora eu sei que amar é fortaleza, agora eu sei que amar é beleza.
Só por hoje continuo sentindo a infinita angústia da criança que habita em mim — uma vítima do meu próprio desamor — na sua torre alta, sombria e distante, no seu poço fundo, escuro, obscuro e melancólico; como dói observar a criança em mim cativa e inativa feito passarinho na gaiola; a dor é tanta que incomoda mais que picadas de marimbondos, e é tão grande que ocupa todo o meu espaço de viver, forçando como uma poderosa alavanca o meu caminhar, agir e sentir, e desta dolorosa forma eu compulsoriamente começo o processo de resgate da criança que habita em mim, colocando em movimento — a inércia é uma força muito poderosa — as enferrujadas engrenagens do amor a tantos anos emperradas em mim — a criança que habita em mim carece e merece muito do meu amor. O fato de achar que de fato, somente o amor é real, explica de forma muita clara porque eu sempre vivi no mundo das ilusões, fantasias e imaginações mil, mil e uma noites de depressão. Se navegar é preciso, amar também preciso.
Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas.
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