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Mostrando postagens de novembro, 2024

O Bicho Grilo

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Apegos, desejos, posses, poço... não posso mais, não quero mais, não desejo mais. Possuo tanto, desejo tanto, anseio tanto, e quanto mais possuo mais desejo, e quanto mais anseio mais fundo cavo o profundo poço... O poço depressivo, o poço dos desejos, o poço dos anseios, o poço da felicidade futura que nunca vem, o poço das mágoas passadas que nunca vão, o poço da falta da minha presença, meu vazio... Não posso mais com tanta ausência dentro deste fundo poço. O posseiro em mim grilou as terras de minhas emoções, e agora vivo pulando de sentimento em sentimento, pulo na solidão, pulo na angústia, pulo na alegria, pulo no medo, pulo na esperança, pulo na rejeição, pulo na negação... virei bicho grilo e agora só ando "griladão" — a palavra nem existe, mas eu preciso criá-la para exp...

O Jogo do Sim ou Não

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Eu estava sentindo-me muito infeliz, havia alguma coisa muito errada em minha vida, eu precisava de uma mudança radical a fim de encontrar a minha merecida felicidade. Meu velho ego é um exímio jogador, e naquele distante ano de 1992 resolvi jogar com ele o jogo da cabine fechada, jogo este onde eu não ouvia as perguntas formuladas por ele, e quando uma luz brilhava no interior da cabine eu respondia inconscientemente Sim ou Não. No final do jogo, depois da última pergunta, eu teria o meu prêmio. A propósito... imagine aí na sua mente um Sim e um Não bem sonoro e bem forte, algo assim: Simmmmmmmmmmmmmm ou Nãããããããããããããããããããão. Pode rir ao longo do jogo se assim o desejar, isto de forma alguma me ofenderá, e se lágrimas brotarem de seus olhos, permita que elas escorram pela sua face. Início ...

Meu Inimigo Oculto

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" "Ei, ei, onde você está indo?" Não aguento mais este lugar, vou me embora daqui. "O que está acontecendo?" Estou sofrendo muito aqui, não tenho um segundo de paz; nada está bom para mim, estou cheio de raiva, medo, ressentimentos, angústia, rancor, amargura e com um sentimento de vazio indescritível e sem fim. "E para onde você pretende ir?" Não sei exatamente para onde, mas preciso buscar ajuda, estou sofrendo demais e não suporto mais viver assim, creio que esteja precisando da ajuda dos outros. "Eu no seu lugar não iria embora daqui, lá fora pode ser infinitamente pior." Como assim? "Bem... eu trabalho aqui por décadas, e de certa forma conheço todos os habitantes destas cercanias. Você está incomodado com o outros, certo?" Sim... "Os ...

Esta Tal de Culpa

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" Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras" Vim de um lugar e de uma geração onde a tal da CULPA era quase como que uma sentença, ninguém queria sentir CULPA, ninguém desejava ser CULPADO por nada, a CULPA era como que uma doença infecciosa cujo portador estava destinado a viver para todo o sempre no inferno, a CULPA era como que uma maldição. Então, de vez em quando diziam para mim: "Você é o CULPADO por isto Viajante Emocional, foi tudo CULPA sua, e quando seu pai chegar você vai ver só!", e lá vinha o meu sofrimento, lá vinha o meu banimento moral da tribo, lá vinham os meus medos e o meu desejo mais sincero de evaporar feito água aqui na Terra e ir pingar feito chuva lá em Marte. Como é possível alguém CULPAR uma criança por alguma coisa, como é possível isto? Seria a CULPA imputada nos outros um tiro emocional que dilace...