Meu Inimigo Oculto
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
"Ei, ei, onde você está indo?"
Não aguento mais este lugar, vou me embora daqui.
"O que está acontecendo?"
Estou sofrendo muito aqui, não tenho um segundo de paz; nada está bom para mim, estou cheio de raiva, medo, ressentimentos, angústia, rancor, amargura e com um sentimento de vazio indescritível e sem fim.
"E para onde você pretende ir?"
Não sei exatamente para onde, mas preciso buscar ajuda, estou sofrendo demais e não suporto mais viver assim, creio que esteja precisando da ajuda dos outros.
"Eu no seu lugar não iria embora daqui, lá fora pode ser infinitamente pior."
Como assim?
"Bem... eu trabalho aqui por décadas, e de certa forma conheço todos os habitantes destas cercanias. Você está incomodado com o outros, certo?"
Sim...
"Os outros gritaram com você, apontaram o dedo para você, foram injustos e indiferentes com você, colocaram você de castigo por motivos superficiais, não te deram atenção, afeto e carinho... certo?"
Certo!
"Os outros fizeram de você um capacho e roubaram toda a sua alegria de viver, ou seja, os outros são perigosos e a qualquer momento podem ferir você novamente, concorda comigo?"
Sim, concordo.
"E você está afirmando que está querendo ir embora daqui na tentativa de encontrar ajuda através dos outros, é isto?"
Sim... é isto.
"Se você não se importa vou chamá-lo de amigo... Meu amigo, você está sendo paradoxal, pois ao mesmo tempo que teme os outros pelas mais justas razões, deseja ir ao encontro deles em busca de ajuda, é isto mesmo o que deseja fazer?"
Hum... agora fiquei em dúvida, seu raciocínio me parece muito lógico.
"Meu amigo querido, você entregaria a chave do seu galinheiro para o gambá tomar conta na sua ausência?"
Claro que não!
"E no entanto deseja ir lá para fora ao encontro dos outros que te ferem tanto, dos outros em quem você não confia... Isto não é o mesmo que confiar suas galinhas aos gambás?"
É, é sim... você tem de fato razão.
"Que bom que você compreendeu os meus argumentos, saiba que desejo para todo o sempre o seu mais infinito bem. Sugiro então que não tente mais ir embora daqui, pois já sabemos que o seu problema está lá fora onde vivem os outros, os seus inimigos e algozes, e te digo mais meu querido amigo: Continue pensando nos seus inimigos o tempo todo, e enquanto pensa vá elaborando diuturnamente no seu cabeção mental uma forma de puni-los por todos os males que eles causaram para você, e quando conseguir finalmente idealizar um plano perfeito para resolver este problema, poderá então sair daqui e acertar suas contas com todos eles, concorda comigo?"
Sua ideia me parece muito boa.
"Modéstia à parte, é de fato uma excelente ideia. Já consigo imaginar o glorioso dia em que você finalmente irá embora e gritará com aqueles injustos, insuportáveis e intoleráveis humanos, colocando cada um deles no seu devido lugar e, sobretudo, castigando as todos com restrições de toda ordem, mostrando de fato todo o seu poder, a sua força, a sua raiva congelada por décadas e o seu universo de mágoas reprimidas."
Ah... como eu sonho com este dia.
"Você é uma vítima meu amigo, você é uma vitima... Agora volte para o lugar de onde você veio, e se tiver alguma dúvida estarei sempre à sua inteira disposição, você não sabe, mas acompanho os seus passos desde a sua mais tenra infância. A propósito... quero que você se sinta muito à vontade aqui, temos à sua inteira disposição televisão com dezenas de canais, internet, milhares de jogos, bebidas, drogas receitadas ou não, livros aos milhares, diversões sem fim, planos de viagens para vários lugares do mundo, jornais, revistas... Quando você ficar cansado de tanto pensar nos seus planos de revanche, por favor, usufrua um pouco destes prazeres, e depois volte a pensar e pensar até encontrar a solução ideal para os seus problemas com os outros."
Estou aqui há tantos anos e nem mesmo sei qual é o nome deste lugar, você sabe qual é?
"O nome deste lugar é Depressão!"
E o seu nome meu querido amigo, qual é o seu nome?
"O meu nome é Negação, seu criado".
Prazer em conhecê-lo Sr. Negação. Vou agora voltar para o meu cantinho aqui na Depressão, assistir a uma nova série e em seguida recomeçar a articular um plano mental contra os meus inimigos, eles me pagam, eles me pagam...
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.
Clique em Esta Tal de Culpa para ler a crônica anterior, ou em O Jogo do Sim ou Não para ler a crônica seguinte.

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