O Grande Cabeção Compulsivamente Pensante
Quando eu tinha 19 anos sai da casa dos meus pais no interior e fui para a capital estudar. Nunca me esqueço de uma frase que meu irmão falou comigo naqueles dias: "Viajante Emocional, agora você vai se lascar, você não sabe nem riscar um fósforo e acender uma trempe no fogão." - um vaticínio, ato de adivinhar o futuro.
Meu irmão tinha razão, e depois de inúmeros apertos tive que começar a me virar e aprender uma série de coisas para sobreviver numa cidade grande. Isto tudo foi superado, hoje consigo riscar fósforos e fazer um montão de coisas, mas tem outra coisa...
Aprender a riscar fósforos, encarar um fogão, dirigir automóveis e outras coisas mais não foi tão difícil, o mais difícil foi, e ainda é, assumir todas as minhas responsabilidades emocionais, todas elas, algo assim como encarar o fato de que os problemas são meus e não de terceiros.
Assim com um fósforo riscado produz uma chama luminosa, eu vou precisar aprender a riscar o meu próprio fósforo pessoal, a fim de produzir minha própria luz para alumiar minha escuridão interior. Somente consigo fazer isto com a entrega incondicional de minha vida e de minha vontade nas mãos de um Poder Superior, caso contrário, ficarei cronicamente neurótico até o final dos meus dias, sempre responsabilizando os demais por todas as minhas mazelas emocionais: "Ele me irrita; ele é insuportável; ele é orgulhoso; ele é mau humorado; ele é arrogante; ele é narcisista; ele é controlador; ele faz de minha vida um inferno; ele é o culpado por todos os meus fracassos, medos, e neuroses; ele é o responsável pela minha depressão, ele isto, ele aquilo..."
"Ele quem Viajante Emocional, ele quem? Seriam eles apenas as projeções mentais de todas as suas responsabilidades não assumidas Viajante Emocional? Seriam eles o seu bode expiatório Viajante Emocional?" Neste comportamento profundamente arraigado em mim, neste egocentrismo infantil onde o filho chora e a mãe não vê, continuarei caminhando de forma trôpega pela minha própria inconsciência, aguardando inutilmente que os outros acendam minha própria luz a fim de libertar-me da minha ignorância interior.
Ninguém consegue acender a minha luz, isto é de minha responsabilidade, isto é algo entre eu e o meu Poder Superior, conforme eu O concebo, desde que eu esteja completamente disposto a sair do centro de tudo, desde que eu resolva verdadeiramente deixar de tentar controlar todos os detalhes da vida, eu não controlo nada, eu não controlo nada, eu não controlo nada... Preciso repetir esta frase até a exaustão, preciso repetir até finalmente descobrir que verdadeiramente eu não controlo absolutamente nada, nem mesmo a chama acessa de um simples palito de fósforo, nem mesmo o despertar da chama apagada que habita em mim à espera da Graça de um Poder Superior.
Ah... tudo tão simples, preciso apenas deixar de gostar tanto dos meus queridinhos defeitos de caráter, meus queridinhos cuidadosamente criados e nutridos pelo meu grande cabeção compulsivamente pensante. "Pare de pensar tanto Viajante Emocional, pare de pensar tanto, viva e deixe viver, viva, solte-se e entregue-se a Deus."
Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Uma luz, a sua crônica querido companheiro Aloísio!
ResponderExcluirA metáfora do palito de fósforo é bem sacadas.
Serve de inspiração e referência para neuróticos e "não neuróticos".
Ponto de vista posivo no caminho de serenidade e cura!
Muito grato.
Grande abraço!
corr: sacada
ResponderExcluircorr: positivo
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