O Marisco, o Mar e a Rocha
Estava tudo em paz desde o princípio dos tempos... lá estava o mar, lá estavam os mariscos, lá estava a rocha. Mas tudo é impermanência, e o mar muitas vezes ficava revoltado e furioso — uma vida de mar —, e na sua fúria suas ondas cresciam e chocavam-se violentamente com a rocha, que aparentemente vivia tranquilamente sua vida de apanhar constantemente do mar na beira da praia — uma resignada vida de rocha.
Até que surgiu um certo marisco que ficou muito incomodado com as pancadas constantes do mar sobre a rocha. Duas coisas sobre o marisco: O marisco respeitava muito o mar, e muito além do respeito sentia um grande temor por ele — este temor o impedia de amá-lo —, principalmente nos seus intempestivos dias; o marisco amava profundamente a rocha, e o seu amor por ela era tão grande que ele desejava muito, apesar do seu minúsculo tamanho, libertá-la das constantes e violentas investidas das ondas do mar sobre ela.
Posto isto o marisco pensou, pensou muito, e de tanto pensar finalmente encontrou a solução para resolver o drama do relacionamento entre o mar e a rocha. Numa certa noite de intensa tempestade, com o mar de ressaca chocando-se violentamente contra a rocha e com tudo o que encontrava pelo litoral, o marisco incrustrou-se na rocha, recebendo ele mesmo as duras pancadas do mar, a fim de finalmente salvar sua amada das intermináveis batidas, passando a viver desde então uma vida de intenso sofrimento entre o mar e a rocha, uma vida de marisco, um marisco codependente.
Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Brigado Aloisio por compartilhar ❤️
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