O Homem das Mãos Calejadas

"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"

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Eu, o controlador; admito, admito agora. Mas confesso com sinceridade: Eu não sabia que havia tanta cebola em mim, digo, tanto controle em mim.



Vejo-me como uma grande cebola, onde, dia a dia uma camada é retirada, e depois outra camada, e outra camada — ou seriam máscaras onde representei tantos papéis no grande teatro da vida? Não estou triste com esta constatação, pois percebo que tudo isto faz parte do meu processo na caminhada dos 12 Passos, portanto, não vou utilizar o velho chicotinho mental para punir-me. 

Por muitos anos utilizei o chicotinho; por muitos anos achava-me o culpado por tudo; por muitos anos um baixo padrão de auto estima; por muitos anos um desconhecimento de minha humana natureza; por muitos anos e desconhecimento pessoal, senti-me muito infeliz, e nestas horas punia-me e castigava-me com o meu poderoso chicotinho mental, caindo então em um nocivo círculo vicioso que alimentava tenebrosos processos depressivos. 

Creio que esteja finalmente aprendendo a gostar de mim mesmo e, sobretudo, aprendendo a respeitar-me e a olhar para mim com um olhar muito mais amoroso — estou pendurando o chicotinho mental, tal como vovô pendurava o seu chicote de couro.

Já sei um pouco mais agora da minha humana profundidade e de minhas enormes dificuldades emocionais — uma verdadeira montanha —, e sei também que a recuperação não virá como um passe de mágica — são muitas camadas na cebola, são muitas máscaras ainda a derreter no calor da amorosa espiritualidade —, mas virá na direta razão de minha busca e de minha entrega — Terceiro Passo. 

Nesta manhã, enquanto tomava o meu café, vi um homem batendo vigorosamente em uma grande pedra; com uma pequena marreta em sua mão esquerda, ele aplicava golpes na ponteira sustentada pela sua mão direita e, pouco a pouco, abria um caminho dentro de uma grande rocha. 

No primeiro instante do olhar era tão somente o homem, a ponteira, a marreta e a grande rocha. Então a visão mudou, e eu percebi que o homem já havia aberto um grande buraco por aquela grande pedra, e que por trás dele já havia um grande túnel cavado. 

O homem deteve-se por algum tempo, olhou para trás e, verdadeiramente estupefato por tanto o que já havia penetrado na grande rocha exclamou: "Gratidão meu Deus, por tanto o que eu já caminhei abrindo com esforço e dignidade o caminho nas duras pedras de minha interior escuridão, a fim de que a luz possa finalmente penetrar no interior da grande montanha do meu colossal egoísmo. Sem a Tua presença ao meu lado, eu não teria conseguido nem arranhar a grande rocha, qualquer que fosse o meu humano esforço".

Voltando ao meu café, observo minhas mãos, calejadas mãos. Uma reunião de cada vez; uma partilha de cada vez; um Passo de cada vez; um dia de cada vez, uma marretada — na rocha — de cada vez.

Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas.

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